Ibama multa multinacionais por comprar soja de plantio ilegal

(Foto: Pixabay)

O Ibama e o Ministério Público Federal (MPF) aplicaram 62 multas, que totalizaram R$105,7 milhões, a 78 pessoas e empresas que plantavam, comercializavam ou financiavam soja cultivada em áreas embargadas nos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, na região conhecida como Matopiba.

Entre as empresas e produtores autuados e que descumpriram o embargo estão cinco tradings, que foram multadas em R$24,6 milhões por adquirir 49.205 sacas de 60 kg de soja produzidas nessas áreas. Entre elas estão: a Cargill, multada em 5 milhões e acusada de comprar 10 mil sacas, e a Bunge, acusada de adquirir 3.741 sacas e multada em R$1,8 milhão.

De acordo com a investigação, a compra antecipada dos grãos financiou o uso de áreas do Cerrado, que haviam sido desmatadas e foram embargadas pelo Ibama para permitir que a vegetação se regenerasse. O comércio de produtos rurais procedentes dessas áreas é considerado crime.

Durante a operação, foram apreendidas 84.024 sacas de grãos, o que corresponde a 5.041 toneladas. Além das medidas aplicadas pelo Ibama, o MPF irá propor uma ação civil pública para que os infratores reparem todos os danos ambientais causados pela atividade ilegal.

A ação faz parte da segunda fase da Operação Shoyo, que visa coibir o desmatamento ilegal no Cerrado, principalmente em Matopiba, uma região de intensa expansão do desmatamento no bioma.

“O desmatamento ilegal no Cerrado é mais acelerado no Matopiba do que em outras regiões do bioma, o que exige o aprimoramento das estratégias de controle para garantir que a dissuasão atinja todos os elos ilegais na cadeia produtiva”, diz o coordenador-geral de Fiscalização Ambiental do Ibama, Renê Luiz de Oliveira.

Procuradas pelo jornal O Globo, a Bunge disse em nota que “apresentou sua defesa, na qual estão comprovadas as boas práticas da empresa na aquisição de grãos, baseadas nas diversas consultas às bases de dados públicas relativas a áreas embargadas, o que atesta a regularidade da compra alvo da autuação”.

A Cargill informou que ainda não foi notificada pelo Ibama sobre as irregularidades na compra de soja na região do Maranhão e que irá apurar os fatos e prestar os esclarecimentos necessários quando tiver acesso às informações.

** Com informações do bioma e o jornal O Globo