Incêndio na Chapada dos Veadeiros é o maior da história

(Foto: Divulgação/ ICMBio)

Desde o dia 10 de outubro, bombeiros, brigadistas, policiais, ambientalistas e voluntários estão trabalhando para conter o incêndio que atinge o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, em Goiás.

O incêndio, que se agravou no dia 17, já é considerado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), órgão gestor do Parque, o maior da história da reserva criada em 1961.

“Esta é a maior queimada da história do parque. É a maior força de combate da história do país. Nunca se usou tamanha estrutura, com tantas aeronaves, em um combate a incêndio no país”, disse Christian Berlinck, coordenador de prevenção e combate a incêndio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) ao G1.

Para apagar o fogo, foi criada por uma força-tarefa composta pelo ICMBio, Ibama, Bombeiros do Distrtito Federal e de Goiás, a Polícia Rodoviária Federal, o Grupo Ambientalista do Torto e voluntários da sociedade civil. A operação contou com o uso de helicópteros, o avião da Polícia Militar do DF e o avião Hércules da Força Aérea Brasileira (FAB). Até o momento, foi usado mais de 1 milhão de litros de água para combater as chamas.

As chamas já consumiram o equivalente a 61 mil campos de futebol. As equipes seguem trabalhando no fogo que atinge as serras de Santana e do Ministro. Segundo Berlinck, o combate está se prolongando por ser uma região de difícil acesso.

“É uma área de difícil acesso, mas, se não acontecer mais nada, se não tiver outro início de queimada, esta parte será controlada até o final de semana”, diz Berlinck.

Outro problema enfrentado pelos bombeiros é a condição climática. A baixa umidade relativa do ar e o vento forte contribuem para o avanço das chamas, dificultando o trabalho dos brigadistas.

“Domingo foi o dia mais difícil. Combatemos uma área grande e estávamos esperando para voltar para a base. Quando vimos, o vento fez ressurgir as chamas e a levou para outra área. Perdemos o trabalho de um dia inteiro”, conta o brigadista João Nogueira.

Incêndio Criminoso

A Polícia Militar investiga a hipótese de que o incêndio tenha sido causado por fazendeiros em retaliação ao aumento da área de conservação do Parque de 61 para 240 mil hectares.

O diretor do ICMBio, Fernando Tatagiba, afirma que apenas uma pessoa com conhecimento sobre a região poderia ter provocado o incêndio.

“Alguém colocou fogo na vegetação dos dois lados da rodovia GO-118 e no interior de um aceiro, uma área desmatada que serve justamente como medida de prevenção de incêndios. Certamente se trata de uma pessoa que conhece a região e a nossa dinâmica de combate às chamas”, informou Tatagiba.

“Não existe combustão espontânea no cerrado. Incêndios iniciados nessa época do ano têm sempre origem humana. Se alguém faz uma queimada e ela foge ao controle, transformando-se a em incêndio, isso já é caracterizado como um crime”, complementou.

Colocar fogo em mata está enquadrado na lei de crimes ambientais e tem punição prevista de 2 a 4 anos de prisão e multa que pode chegar a R$ 5 mil reais por hectare queimado.

** Com informações do G1