Influências do Atlântico e do Pacífico sobre a Amazônia vão mudar

Um estudo do Centro de Pesquisas de Woods Hole, em Massachusetts (EUA) e com participação do brasileiro Paulo Brando, do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) avaliou projeções de 35 simulações de computador para o clima na região Amazônica concluiu que o aquecimento global vai ampliar a ocorrência de eventos climáticos extremos na Amazônia, causando mais secas no leste e mais inundações no oeste.

Segundo Brando, a motivação para o estudo é que as projeções para o que vai acontecer com o clima médio na Amazônia já estão bem consolidadas, mas são os eventos extremos que mais impactam o ambiente e as pessoas na região.

O resultado da pesquisa está descrito em estudo na edição desta terça-feira (13) da revista PNAS, da Academia Nacional de Ciências dos EUA. As secas recentes de 2005 e 2010, dizem os cientistas, são “análogas das condições projetadas para o futuro”.

Ainda não está muito claro por que os modelos produziram comportamentos contrastantes para diferentes áreas da Amazônia, mas cientistas acreditam que isso seja resultado de diferenças entre os aquecimentos que Atlântico e o Pacífico sofrerão.

As secas, afirmam, provavelmente estão ligadas a dois diferentes fenômenos. O primeiro é conhecido pela sigla ENSO (Oscilação do Sul do El-Ninõ), que alterna os períodos de superaquecimento e resfriamento das águas do pacífico. O segundo é a AMO (Oscilação Multidecadal Atlântica), uma variação nas médias de temperatura do Atlântico com ciclos de uma ou mais décadas.

As consequências do aquecimento global previstas pelos modelos não levaram muito em conta ainda possíveis efeitos do desmatamento, diz Brando. O corte de floresta reduz a evapotranspiração, umidade bombeada para o ar por árvores e seres vivos. Uma redução na cobertura de árvores poderia intensificar ainda mais as secas, dizem os cientistas.

Leia o resumo do estudo aqui

 

  • com informações do portal G1