Isolamento social melhora qualidade do ar em todo o mundo

(Foto: João Tzanno/ Unsplash)

A poluição atmosférica diminuiu nas áreas urbanas em todo o mundo. Cidades como Rio de Janeiro, São Paulo e Paris são algumas que registraram redução nos níveis de gases poluentes e melhora na qualidade do ar.

Um levantamento do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) do Rio de Janeiro mostrou uma redução de 77% na concentração de dióxido de nitrogênio (NO2) no Distrito Industrial de Santa Cruz, na zona oeste, e de 45% em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, desde o dia 17 de março, quando teve início o isolamento social no estado.

Na capital paulista, a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) registrou uma redução de 50% no índice de poluentes atmosféricos em apenas uma semana. 

Houve também uma queda de 30% no material particulado inalável, o MP10, relacionado à ação dos veículos que ressuspendem a poeira do solo, e o MP 2.5, formado por processos secundários a partir da queima de combustível.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o limite de exposição a material particulado é de 25 µg/m³ (micrograma por metro cúbico de ar), média de 24 horas. Normalmente, o índice é ultrapassado por diversas regiões de São Paulo, como é o caso de Osasco, Grajaú e Mauá, que chegam próximo a 40 µg/m³.

O menor número de circulação de veículos, as condições mais livres do trânsito e a ausência de engarrafamentos têm contribuindo para reduzir a quantidade de poluentes na atmosfera.

Os níveis de monóxido de carbono (CO), um indicador da emissão poluente de veículos leves em grandes centros urbanos, estão entre os mais baixos para um mês de março na região.

A Índia, um dos países do mundo mais poluídos do mundo, teve uma redução drástica na poluição. As medidas de confinamento diminuíram em 71% nas partículas de MP2.5, em Nova Delhi, entre os dias 20 e 27 de março. O dióxido de azoto, que resulta da queima de combustíveis fósseis, passou de 52 m³ para 15 partículas, uma redução de 71% em relação ao mesmo período.

Níveis semelhantes foram registados em outras cidades como Mumbai, Chennai, Calcutá e Bangalore. Nas cidades de Mumbai, Pune e Ahmedabad, os níveis médios de dióxido de azoto caíram entre 40% e 50%, em comparação aos anos de 2018 e 2019.

Dados da Agência Ambiental Europeia (EEA) revelaram que em Madri, na Espanha, os níveis médios de dióxido de nitrogênio recuaram 56% na comparação semanal depois que o governo espanhol proibiu viagens não essenciais a partir de 14 de março.

Impactos na Saúde

Segundo a OMS, nove em cada dez pessoas respiram ar contaminado e a poluição é responsável pela morte de 7 milhões de pessoas por ano no mundo, sendo 50 mil mortes no Brasil. Uma pesquisa da USP revelou que o morador de São Paulo, por exemplo, perde um ano e meio de vida por causa da poluição.

A baixa qualidade do ar pode causar dores de cabeça, ansiedade, impactar o sistema nervoso central, irritação nos olhos, nariz e garganta, problemas respiratórios, asma, redução da função pulmonar, doença pulmonar obstrutiva crônica e câncer de pulmão, impactos no fígado, baço e sangue. Além de doenças cardiovasculares e impactos no aparelho reprodutor.