Já imaginou abrir a torneira em São Paulo e tomar água dos rios do Amazonas?

Depois do petróleo, a água é a maior riqueza do mundo atualmente. Daqui a meio século, esse commoditie pode se inverter e valer mais que um barril de óleo negro. Quem diz isso são os cientistas, que trabalham arduamente para transformar rios, esgotos e mares poluídos em bebida potável.

O Nordeste brasileiro convive com a seca a dezenas de anos. Daqui do Sudeste acompanhamos mais do que desejaríamos esse drama, seja através da literatura de Graciliano Ramos ou de Suassuna;  dos noticiários, peças teatrais e séries de TV, ou mais realista do que a arte, na migração cotidiana dos povo sofrido do nordeste que vem em busca de uma vida melhor nas grandes cidades.

Dito assim, com base nesses especialistas, São Paulo, outrora a terra da garoa, pode virar sertão na apocalíptica visão de um instituto respeitável, a Somar Meteorologia. A previsão é que esta falta de chuva e reservatórios – sempre no limite do volume morto – pode durar até 2045.

Segundo Paulo Ethichury, sócio da Somar, em entrevista à agência EFE, “o clima atual reflete uma condição oceânica de esfriamento do Pacífico, que se opõe às décadas de 1980/ 1990 e 2000, quando a temperatura era mais quente. A mesma fase vivenciada nos anos 40 aconteceria agora, com menos chuva, em intervalos de 30 anos, que ele classifica como “interdecadal”. Por outro lado, o Sul e o Norte continuam em abundância de chuva.

Em São Paulo, o governo anunciou a interligação de represas com a Cantareira, para evitar o desabastecimento. Mas o futuro pode ser ainda mais estranho. O Norte, que já fornece energia elétrica para o resto do País, pode também virar fornecedor de água. Sabemos que a chuva que cai no Sudeste vem da floresta Amazônica, no fenômeno conhecido como rios voadores. De fato, se o aquecimento global mudar esse ciclo, não restará outra alternativa senão transpor essas águas, como acontece atualmente com o Rio São Francisco?

O governo do Amazonas tem um estudo para levar água até São Paulo, através de canalização de cerca de três mil quilômetros. Segundo publicado no site Página Única, o governador do Amazonas, José Melo, afirmou que seu estado lucrará com a operação. “Transportar água é a coisa mais fácil do mundo. Precisamos só de tubos e bombas de recalque”, disse.

Apenas 1% da vazante do Rio Amazonas, entre os municípios de Parintins (AM) e Breves (PA)”,  pode acabar com a seca no Nordeste e Sudeste do País, conforme estudos do Serviço Geológico do Brasil. O governador José Melo (Pros), pretende levar o projeto à presidente Dilma Rousseff.  O recurso poderá vir da Lei Estadual de Serviços Ambientais, que ainda não foi votada.

De acordo com o CPRM, 1% da vazão do rio Amazonas é um volume insignificante para o Norte, mas corresponde a aproximadamente dois mil metros cúbicos por segundo de água, equivalente a todo o volume do rio São Francisco, que passa por cinco Estados e 521 municípios.

 

Banho de água fria

Cientistas ouvidos pelo Página Única discordam. Philip Fearnside, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia diz que o problema não é a água que se retira, mas a energia necessária para bombear o rio três mil quilômetros. Antônio Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), afirma que “a ameaça real ao rio aéreo que pode estar ligada à seca em outras regiões, chama-se desmatamento. “Muito mais barato será estancar o desmatamento e replantar florestas, explicou”.

Obras do poliduto como essas acontecem da Rússia até a Europa Oriental, dos Estados Unidos à China. “Há 50 anos fizeram um poliduto saindo da Rússia até o mar da Turquia. Foram mais de seis mil quilômetros de distância. Eles construíram a obra em meio a ventos de 60 km/h, com 40 graus negativos de temperatura e rompendo montanhas. Por que não podemos levar água para o Brasil se não temos temporais, gelo, nem nada? finalizou o governador amazonense.

Quem viver, verá!

Com informações do Página Única