Mais de 300 quilômetros do Rio Paraopeba está morto

(Foto: Lucas Hallel Ascom/ Funai)

Análise feita pela Fundação SOS Mata Atlântica entre Brumadinho, onde houve o rompimento da barragem da Vale, e Felixlândia, na Região Central de Minas Gerais, constatou que não há condições de vida aquática no rio Paraopeba.

A lama destruiu 112 hectares de florestas nativas, sendo 55 hectares preservados. Dos 22 pontos analisados, 10 apresentaram índice ruim e 12 péssimo.

Os pesquisadores também encontraram níveis de metais pesados, como manganês, cobre e cromo. O limite aceitável de cobre, por exemplo, é 0,009mg/l (miligramas por litro), mas variou de 2,5 a 5,4mg/l nas amostras, 600 vezes acima do permitido.

O nível de cromo explodiu 42 vezes mais do que o aceitável, que seria 0,05mg/l. O metal pode causar até efeitos mutagênicos e morte.

“Hoje essa classificação ruim e péssima impede que o rio possa ser utilizado. É como se a gente tivesse transformado o rio Paraopeba, que era um rio com peixes, utilizado para abastecimento público, em um rio completamente contaminado como é o rio Pinheiros” [em São Paulo], avaliou Malu Ribeiro, especialista em Recursos Hídricos da Fundação SOS Mata Atlântica.

Para a ONG ambiental, a restauração florestal e a ampliação dos serviços de saneamento básico devem ser implementadas para que o rio se recupere com maior rapidez. Porém é preciso cautela com prazos para a recuperação do rio.

Vale

O juiz da 1ª Vara da Fazenda Pública e Autarquias, Michel Curi, exigiu que a Vale comprove que está cumprido as medidas preventivas determinadas pelo Ministério Público de Minas Gerais (MP-MG) e pelo governo estadual.

Na decisão,a mineradora tem um prazo de cinco dias para apresentar a documentação necessária. Em caso de descumprimento, a Vale será multada em R$ 1 milhão por dia de atraso. 

** Com informações do G1 e da Época Negócios