Moratória da soja evitaria desmatamento no Cerrado

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(Foto: Pixabay)

Para conter o avanço da conversão de vegetação nativa em plantações de soja, uma das medidas que podem solucionar a questão é estender para o Cerrado a moratória da soja, como é chamado o acordo de desmatamento zero na Amazônia.

A conclusão é de um estudo publicado na revista Science por pesquisadores do Brasil, da Áustria, França, Bélgica e dos Estados Unidos. Este é o primeiro estudo científico quantitativo para a eventual adoção dessa medida no bioma brasileiro.

De acordo com os pesquisadores, a área de expansão da soja entre 2021 e 2050 será de 12,4 bilhões de hectares, sendo 10,8 milhões no Cerrado e 1,1 milhão na Amazônia.

Se a moratória entrasse em vigor em 2021, 3,6 milhões de hectares de vegetação nativa seriam preservados diretamente no Cerrado até 2050 e cerca de 2 milhões de hectares de lavouras no bioma migrariam para outros biomas.

Descontando o desmatamento para outras atividades agrícolas, a extensão da moratória pouparia 2,3 milhões de hectares nativos.

Atualmente, quase metade de toda a soja produzida no país tem origem no Cerrado, sendo que um quarto da área está situado no Matopiba, região que abrange porções dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, segundo dados do IBGE.

Ao contrário da floresta amazônica, em que quase metade do bioma está sob proteção, apenas 8% do Cerrado é preservado. A aplicação do Código Florestal sem a moratória impediria que apenas 0,9 milhão de hectares fosse convertido.

Os impactos no atraso da implementação da moratória para o Cerrado causa uma perda média de 140 mil hectares por ano, o equivalente a um Parque Nacional das Emas.

** Com informações da Agência Fapesp