Mudança climática aumenta risco de incêndios florestais na Austrália

(Foto: Governo Estadual de Victoria)

A elevação da concentração de gases de efeito estufa, que contribuem para a mudança climática, na atmosfera aumentou as chances da Austrália passar por episódios extremos de incêndios florestais, como os que atingiram o sudeste australiano no final de 2019.

A conclusão é de um estudo feito pelo World Weather Attribution, grupo internacional que reúne cientistas que atuam na área de clima.

De acordo com a pesquisa, há uma possibilidade de, pelo menos, 30% ou mais de ocorrer incêndios florestais, já que a tendência de calor extremo é um dos principais fatores no início de queimadas. Se a temperatura global crescer em até 2ºC, esses episódios se tornarão, no mínimo, quatro vezes mais comuns como resultado da mudança do clima.

“As alterações climáticas fazem parte da paisagem atual da Austrália. O calor extremo é claramente influenciado pelas mudanças climáticas causadas pelo homem, que podem influenciar as condições de fogo. Temos evidências de que as estações de fogo na Austrália se tornaram mais prolongadas e intensas, e as temperaturas extremas têm desempenhado um papel importante nisso”, diz Sophie Lewis, pesquisadora da University of New South Wales, na Austrália.

A análise de dados revelou que uma semana de temperaturas quentes, como a de dezembro de 2019, tornou-se ao menos duas vezes mais provável por conta da mudança do clima. Ondas de calor como aquela são agora mais quentes em cerca de 1-2ºC do que as registradas por volta de 1900.

Outras ligações entre mudança do clima e o risco de incêndio na Austrália estavam além do escopo do estudo, como fontes de ignição e estações de incêndio prolongadas que diminuem a janela para a redução segura do risco de incêndio.

“Nossa pesquisa apontou que a mudança climática é, de fato, um fator importante nesses episódios em âmbito local. Por isso, precisamos continuar testando nossos modelos climáticos no mundo real, de modo a fornecer informações com maior confiança sobre riscos climáticos no nível local, na escala em que as pessoas vivem e tomam decisões”, explica Friederike Otto, da University of Oxford no Reino Unido.

Os incêndios florestais na Austrália em 2019-20 queimaram mais de 11 milhões de hectares, destruíram quase 6 mil edifícios e mataram pelo menos 34 pessoas e mais de 1,5 bilhões de animais. Os custos econômicos dos incêndios podem chegar a 100 bilhões de dólares.