O inverno mais quente da história da Terra

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Chapa quente no planeta onde o inverno deveria ser inverno. Acabamos de tomar conhecimento pela Nasa/ Agência Meteorológica do Japão e pela NOAA, órgão do governo americano que cuida dos oceanos e atmosfera do país que a Terra teve o mês de junho com a maior média de temperatura de todos os tempos. A média de temperatura global ultrapassou a média do século XX em 1,26 graus Celsius. Nove entre 10 maiores medições aconteceram desde maio de 2014.

Pode piorar? Pode! Se a contagem retroagir 12 meses, Julho foi o ano mais quente da história, segundo a NOAA. Parte disso tem a ver com  El Niño que está acontecendo neste ano no Oceano Pacífico, parte por que as mudanças climáticas podem cozinhar o planeta lentamente com a combinação catastrófica dos El Niños da vida com o aquecimento global.

A seis meses da Conferência do Clima em Paris (COP-21), o Brasil ainda não apresentou sua contribuição oficial na agenda climática em 2015, ao contrário dos Estados Unidos, China e  União Europeia, para estabelecer novas metas de redução de gases de efeito estufa (GEE). Nesse ritmo, segundo a Agência Internacional da Energia dificilmente se evitará que a temperatura média da Terra ultrapasse 2ºC, provocando um grave desequilíbrio climático no planeta.

O Brasil e outros 150 países precisam sinalizar propostas para se chegar ao Acordo de Paris, com meios de financiamento de US$ 100 bilhões anuais aos países em desenvolvimento para enfrentamento das mudanças climáticas. A União Europeia lidera as contribuições nacionais, com meta de 40% de corte de emissões de GEE em 2030 em relação ao nível de emissões de 1990. Os Estados Unidos anunciaram meta de até 28% de redução até 2025, em comparação a 2005.

A China, principal poluidor mundial, pretende reduzir suas emissões por unidade do PIB em até 65% em 2030 em relação ao nível de 2005, através do chamado “decoupling” ou desligamento de crescimento econômico das emissões de GEE. A meta chinesa é trocar a dependência do carvão como matriz energética (66% para 62% em 2020), por energias renováveis alternativas como a solar e a eólica. Aqui no Brasil, eles viraram os maiores investidores em hidrelétricas, projetos de energia renováveis e linhas de transmissão como Belo Monte.

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, advertiu que as negociações estão muito lentas. Na última rodada que aconteceu em junho na cidade de Bonn resultou em texto base para o Acordo de Paris de quase 100 páginas, considerado muito longo pela França e pelos países do Basic (Brasil, África do Sul, Índia e China).  A próxima versão deve ser apresentada até agosto.