ONU confirma que anos 2010 foram os anos mais quentes já registrados

(Foto: Pixabay)

De 2010 a 2019, o planeta registrou uma piora considerável em todos os indicadores relacionados ao clima, com aquecimento terrestre e marinho recorde e maior frequência de eventos climáticos frequentes, segundo novo relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM).

De acordo com o estudo, 2015 a 2019 foram os cinco anos mais quentes já registrados, o que coloca a década de 2010 a 2019 como a que registrou mais recordes de temperatura alta em todo o mundo, desde 1850.

O ano de 2019 foi, isoladamente, o segundo ano mais quente já registrado, com temperatura média global de 1,1°C acima dos níveis pré-industriais estimados. Atrás apenas de 2016, quando uma ocorrência mais forte do El Niño contribuiu para um aumento da temperatura média global no topo da tendência de aquecimento.

Para o secretário-geral da OMM, Petteli Taalas, a tendência de aquecimento deve continuar ao longo dos anos 2020, com projeções de novos recordes anuais de temperatura alta para os próximos cinco anos.

“A temperatura é um indicador da mudança do clima que acontece hoje. Mudanças na distribuição global de chuva têm causado grandes impactos em muitos países. Os níveis do mar estão subindo a uma velocidade crescente, em grande parte por causa da expansão térmica da água do mar e do degelo das grandes geleiras na Groenlândia e na Antártida. Isto está expondo as áreas costeiras a um risco cada vez maior de enchentes e submersão de áreas mais baixas”, analisa.

Os oceanos são um dos ecossistemas mais impactados pelo aquecimento do planeta, com impactos generalizados no sistema climático e nas correntes oceânicas. Entre 2009 e 2018, o oceano absorveu cerca de 23% das emissões anuais de CO2, amortecendo os impactos das mudanças climáticas, mas aumentando a acidez do oceano. A alteração do pH reduz a capacidade de calcificação de organismos marinhos como mexilhões, crustáceos e corais, afetando a vida marinha, o crescimento e a reprodução.

Em 2019, o oceano experimentou em média quase 2 meses de temperaturas invulgarmente quentes. Pelo menos 84% dos oceanos sofreram pelo menos uma onda de calor marinha.

A desoxigenação juntamente com o aquecimento e acidificação dos oceanos é uma grande ameaça aos ecossistemas oceânicos. Os recifes de coral estão projetados para diminuir de 10% a 30% da cobertura anterior a 1,5°C de aquecimento, e para menos de 1% a 2°C de aquecimento.

O relatório indica que as mudanças climáticas vão ter um impacto crescente na saúde humana e nos sistemas de saúde com condições extremas de calor e frio. No ano passado, foram registadas mais de 20 000 emergências por doenças relacionadas com o calor entre junho e setembro na França, por exemplo. 

A segurança alimentar global também está em risco. Após uma década de declínio constante, a fome voltou a aumentar e mais de 820 milhões de pessoas sofreram fome em 2018.