Pantanal perdeu área do tamanho de Nova York por causa de incêndios

(Foto: Chico Ribeiro/ Governo Mato Grosso)

Até o dia 06 de setembro, foram queimados 2,3 milhões quilômetros quadrados (km²) no Pantanal brasileiro, quase 16% da área total, de acordo com o Ibama. Esta é a maior destruição no bioma desde 1999, quando começou o monitoramento.

O avanço do incêndio obrigou a saída de 45 índios do povo boe bororo da sua reserva em Santo Antônio de Leverger (MT). Segundo a Fundação Nacional do Índio (Funai), a retirada do grupo foi preventiva, já que a fumaça densa das queimadas e a proximidade do fogo ameaçam a população. Essa é a primeira vez que uma tribo da região é desalojada por causa de queimada.

Até o momento, os incêndios mataram milhares de animais silvestres, como serpentes, lagartos, jabutis, jacarés, tamanduás, macacos e tantas outras espécies que povoam o Pantanal.

Campanhas

Várias organizações lançaram campanhas para ajudar no resgate e nos cuidados aos animais resgatados.

“O fogo e a fumaça asfixiam a natureza e toda a economia do Pantanal. Sofrem o turismo, a pecuária, a pesca e as cidades e, por consequência, toda a população, como ribeirinhos, indígenas e produtores, além dos animais silvestres e o gado”, afirma o documentarista Lawrence Wahba.

O documentarista é um dos idealizadores de uma campanha que irá captar recursos, via crowdfunding, para a criação da Brigada Haroldo Palo Jr., que atuará em defesa da biodiversidade desta região do Pantanal nos Estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

A ideia da brigada não é só combater o fogo, mas, também, inspirar fazendeiros e outros setores da sociedade a replicar a ação.

A AMPARA Animal e a AMPARA Silvestre lançam a campanha Pantanal em Chamas. O objetivo é captar recursos para manter a operação do Posto de Atendimento Emergencial a Animais Silvestres (PAEAS Pantanal) funcionando, com os suprimentos necessários para resgate e reabilitação dos animais, para que tenham chance de voltar ao seu habitat posteriormente.

Para contribuir, acesse https://voaa.me/vaquinha-pantanal e faça a sua doação em boleto, cartão de crédito ou Paypal. O valor mínimo da doação na plataforma é R$25,00 por conta das taxas bancárias e no Paypal é de R$40.

Realizado pelo Instituto Sustentar, o Projeto Bichos do Pantanal pretende arrecadar R$ 150 mil para resgatar e a salvar a vida dos animais vítimas dos incêndios no Pantanal. A arrecadação será destinada para construção de locais para receber os bichos, comprar equipamentos de resgastes, alimentos e água, além de medicamentos para tratamento dos animais.

Ação Bicho Vivo – salve o Pantanal ocorre no site do Instituto Sustentar. Qualquer pessoa pode acessá-lo e fazer uma contribuição.

Responsabilidade

Na manhã desta segunda-feira (14), a Polícia Federal (PF) em Mato Grosso do Sul deflagrou a operação Matáá que busca por responsáveis pelas queimadas nas áreas de preservação permanente e na Serra do Amolar, no Pantanal sul-mato-grossense. A operação cumpriu 10 mandados de busca e apreensão.

A suspeita é que o incêndio, que destruiu 25 mil hectares de vegetação, tenha sido empregado para remover a vegetação natural em área de pastagem para gado.

De acordo com o delegado Alan Givigi, que coordena a operação, imagens de satélite analisadas pela PF indicaram onde começou o fogo e a investigação foi feita com base em perícia nas áreas afetadas e oitivas dos envolvidos.

A Polícia Federal não deu detalhes sobre como chegou aos responsáveis e também não divulgou quem são eles.

Os suspeitos de começar o incêndio poderão responder pelos crimes de dano a floresta de preservação permanente, dano direto e indireto a unidades de conservação, incêndio e poluição. As penas somadas podem ultrapassar 15 anos de prisão.

Conhecido por ser um bioma úmido, o Pantanal enfrenta uma das piores secas na história, o que facilita a propagação dos incêndios. Especialistas atribuem a falta de chuvas ao aquecimento do Oceano Atlântico, que está retirando a umidade da América do Sul e a enviará para o norte, provavelmente, na forma de furacões.