Pesquisadores encontram microplásticos no gelo antártico

(Foto: LW/ Unsplash)

Cientistas do Instituto de Estudos Marinhos e Antárticos da Universidade da Tasmânia descobriram 14 tipos diferentes de microplásticos no mar da Antártica. Foram encontrados, em média,12 pedaços de plástico por litro de água.

A principal autora do estudo, Anna Kelly, afirma que a descoberta confirma que a poluição plástica está presente em todos os oceanos do mundo. “O afastamento do Oceano Antártico não foi suficiente para protegê-lo da poluição plástica, que agora está presente em todos os oceanos do mundo”.

Apesar de microplásticos já terem sido descobertos nas águas superficiais da Antártica, a nova descoberta pode significar que o krill da região – que se alimenta de algas do gelo do mar – estão mais expostos ao plástico do que o previsto.

Para fazer o estudo, os pesquisadores perfuraram o núcleo do gelo marinho  a cerca de dois quilômetros da costa em 2009. O núcleo foi retirado do “gelo rápido” – gelo que se forma ao longo da costa e não é móvel – e tinha cerca de 1,1 m de comprimento e cerca de 14 cm de largura.

Ao analisar o núcleo, os cientistas descobriram que os plásticos estavam rodeados por algas que cresceram no gelo. “O gelo do mar é o habitat das principais espécies de forrageamento. O Krill define tudo o mais na cadeia alimentar e depende do crescimento das algas marinhas do gelo. Quando você pensa agora que as algas do gelo marinho estão associadas aos plásticos, pode pensar na bioacumulação dos plásticos no krill e nas baleias”, explica Delphine Lannuzel, professor associado do IMAS e co-autor do estudo.

Agora, as pesquisadoras querem entender o impacto dos plásticos nas espécies que dependem do gelo marinho. Ainda não se sabe se a toxicidade dos plásticos foi afetada pelos processos nas tripas do krill e de outras espécies, incluindo as baleias que se alimentam do krill.