Plantação de florestas podem causar mais danos do que benefícios?

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(Foto: Pixabay)

Dois novos estudos publicados recentemente apontaram que o plantio em larga escala de florestas, como ação para combater às mudanças climáticas, pode ter o efeito contrário. Isso significa que plantar árvores é apenas parte da solução.

Um estudo da Universidade Estadual do Colorado descobriu que as proporções de carbono orgânico do solo sob as áreas florestadas variam muito entre diferentes ecossistemas e climas, e essas variações dependem de fatores, como espécies de árvores, histórico de uso da terra e tipo de solo.

Os cientistas analisaram 11 mil amostras de solo retiradas de áreas florestadas e descobriram que, em solos pobres em carbono, a adição de novas árvores aumentou a densidade do carbono orgânico. Onde os solos já eram ricos em carbono, a adição de novas árvores diminuiu essa densidade.

“Esperamos que as pessoas entendam que as práticas de florestamento não são uma coisa. O reflorestamento envolve muitos detalhes técnicos e balanços de diferentes partes, e não pode resolver todos os nossos problemas climáticos”, explica Anping Chen, cientista do Departamento de Biologia da CSU e principal autor do estudo.

O pesquisador explica que em um local que está acima de um certo limiar de carbono orgânico do solo subterrâneo pode ser deixado sozinho para a regeneração natural da florestam em vez de plantado com árvores.

Outro estudo da Universidade de Stanford constatou que os incentivos financeiros para plantar árvores em propriedades privadas são uma fator-chave para aumentar o número de árvores.

A pesquisa analisou um decreto que subsidiou o plantio de árvores entre 1974 e 2012 e constatou que o financiamento expandiu a área coberta por árvores, mas diminuiu a área de floresta nativa.

Por essa redução, os pesquisadores afirmam que a lei fracassou em aumentar os estoques de carbono e conter a perda de biodiversidade, já que as florestas nativas do Chile são ricas em biodiversidade e armazenam grandes quantidades de carbono.

“Se as políticas para incentivar as plantações de árvores são mal projetadas ou mal aplicadas, há um alto risco de não apenas desperdiçar dinheiro público, mas também liberar mais carbono e perder a biodiversidade”, disse o coautor da pesquisa Eric Lambin, da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos.