Privatização de terras na Amazônia causará um prejuízo de R$ 118 bilhões

(Foto: Unsplash)

Se o governo vender as médias e grandes propriedades que estão instaladas ilegalmente em áreas públicas na Amazônia pode ter um prejuízo de R$118 bilhões, o equivalente a 7% do PIB brasileiro, estima novo estudo do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) divulgado nesta segunda-feira (17).

A pesquisa aponta que o prejuízo ocorreria pela venda das propriedades abaixo do preço de mercado e estimularia o avanço do desmatamento na floresta em, pelo menos, 16 mil km².

O estudo analisou todas as áreas que o governo pretende destinar para a futura privatização de posses irregulares, que abrangem 27,8 milhões de hectares da Amazônia. Deste total, 8,6 milhões de hectares estão em processo de receber o título de terra pelo governo federal e 19,2 milhões de hectares podem ser regularizados futuramente, segundo o governo.

Os pesquisadores também avaliaram os riscos de expansão de desmatamento até 2027 para a área de 19,2 milhões de hectares. Se toda a área for privatizada, é provável que ocorra a expansão da fronteira agropecuária.

A pesquisa estima o risco de aumentar o desmatamento em até 1,6 milhão de hectares. A queimada para limpar esta área resultaria em emissões de até 6,5 megatoneladas de CO2, contribuindo para o aquecimento do planeta. Isso equivale a 15 anos de emissões do setor de energia no Brasil.

“A expectativa de lucro com a posterior venda dessas áreas tituladas a preços irrisórios representa um estímulo a novas invasões de terra pública e grilagem na Amazônia, que é o roubo do patrimônio de todos os brasileiros”, afirma Brenda Brito, pesquisadora associada do Imazon e primeira autora do artigo.