Quase metade das cidades brasileiras foram afetadas por secas nos últimos 4 anos

(Foto: Pixabay)

Dos 5.570 municípios brasileiros, 2.706 foram afetados por secas entre 2013 e 2017, revela novo Perfil dos Municípios Brasileiros do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgado nesta quinta-feira (05).

A Região Nordeste teve a maior proporção de municípios atingidos pela seca, com 82,6%, enquanto a Região Sul foi a menos impactada, com 10,7%. O Ceará e o Espírito Santo tem o maior índice de municípios atingidos, com 97,8% e 94,4%, respectivamente. Em seguida estão: Piauí (94%), Roraima (93,3%), Paraíba (92%) e o Rio Grande do Norte (91%).

Além da seca, os municípios brasileiros também foram sofreram com alagamentos (31%), enxurradas (27,2%), processos erosivos acelerados (19,6%) e deslizamentos (15%).

Segundo o relatório, a proporção de municípios afetados pelos desastres naturais é mais alta nas áreas urbanas, devido a construção de moradias, rodovias e outras obras, que interferem na drenagem da água das chuvas e nos processos erosivos. Das cidades com mais de 500 mil habitantes, 93% foram afetados por alagamentos e 62% por deslizamentos.

Apesar dos altos índices, mais da metade (59,4%) das cidades não contavam com nenhum instrumento de planejamento e gerenciamento de riscos à desastres. Apenas 14,7% tinham um plano de contingência e/ou prevenção para a seca e 23% declararam ter Lei de Uso e Ocupação do Solo prevendo essas situações.

Meio ambiente

Mais de dois terços das cidades brasileiras registraram ocorrências de impactos ambientais. Em 46%, a causa foi uma condição climática extrema, a segunda causa foi a falta de saneamento e as queimadas (33%).

Entre 2012 e 2017, o número de municípios com algum tipo de estrutura ambiental (secretaria, setor ou órgão de administração indireta) passou de 88,5% para 93,4%. A presença de Fundos de Meio Ambiente também cresceu 13,1% no período.

Em 67% das cidades existia algum tipo de legislação ambiental ou instrumento de gestão ambiental. Entretanto, menos da metade possui leis que tratam de saneamento básico (47,1%), coleta seletiva de resíduos sólidos domésticos (41,9%), área e/ou zona de proteção ou controle ambiental (32,2%), destino das embalagens utilizadas em produtos agrotóxicos (15,1%), gestão de bacias hidrográficas (14,6%) e adaptação e mitigação da mudança do clima (4,4%).

Pouco mais da metade dos municípios (54,8%) possuem um Plano Integrado de Resíduos Sólidos, variando de 49,1% nos municípios de 5.001 a 10 mil habitantes até 83,3% nos com mais de 500 mil habitantes.