Terras indígenas e áreas protegidas emitem menos carbono

(Foto: Pixabay)

As terras indígenas (TIs) e as áreas naturais protegidas (ANPs) na Amazônia são menos propensas à perda de carbono por degradação do que regiões desprotegidas.

A conclusão é de um estudo que analisou o impacto da degradação e do desmatamento, a partir de uma nova tecnologia que combina imagens de satélite com dados de campo. A pesquisa também leva em conta as emissões causadas por fatores naturais, como a seca e ganhos obtidos com o crescimento da floresta.

O trabalho, liderado por Wayne Walker, do Centro de Pesquisa de Woods Hole, nos Estados Unidos, mostra que a Floresta Amazônica liberou, entre 2003 e 2016, cerca de 1.290 milhões de toneladas de carbono, quando contabilizados perdas e ganhos.

As terras indígenas (TIs) e as áreas naturais protegidas (ANPs) são responsáveis pela emissão de apenas 10% do total de carbono liberado pela Amazônia nos nove países e armazenaram mais da metade (58%) do carbono da região em 2016.

Em contrapartida, as áreas desprotegidas representam 70% das perdas totais de carbono e quase 90% da variação líquida.

De acordo com os pesquisadores, a liberação de carbono causada pela degradação em terras indígenas e as áreas protegidas é, em sua maioria, compensada pelo crescimento da vegetação natural. Enquanto, o mesmo processo ambiental não acontece em terras desprotegidas.

“Nosso trabalho mostra que as florestas sob a proteção de povos indígenas e comunidades locais continuam a ter melhores resultados no balanço de carbono do que as terras sem proteção. Isso significa que o papel dessas populações é crítico e deve ser fortalecido para que os países da bacia amazônica consigam manter esse recurso globalmente importante, enquanto cumpre seus compromissos no Acordo de Paris”, explica Walker.

Os cientistas também alertam que as TIs e as ANPs estão cada vez mais expostas a atividades ilegais e a fraquezas das leis e do Estado, colocando em risco seu papel na proteção de paisagens cada vez mais vulneráveis. Essas descobertas levaram os autores a alertarem para a importância dos direitos dos povos indígenas, cujas terras cobrem 30% da Amazônia e detêm 34% de seu carbono.

Quase 90% dos territórios indígenas têm alguma forma de reconhecimento legal, mas os pesquisadores observam que as concessões governamentais para a mineração e a extração de petróleo se sobrepõem a quase 25% de todas as terras territoriais reconhecidas na região, aumentando substancialmente a vulnerabilidade das TIs das ANPs a impactos adversos.