Trump anula medidas contra o aquecimento global

(Foto: REUTERS/ Carlos Barria)

Nesta terça-feira (28), os Estados Unidos deram um passo retrógado no combate à mudança climática. Após cortar fundos da Agência de Proteção Ambiental (EPA), o presidente Donald Trump assinou uma ordem executiva que revoga uma série de medidas tomadas pelo ex-presidente Barack Obama para frear o aquecimento global.

Antes de assinar o decreto, Trump afirmou que sua administração está colocando um fim na “guerra contra o carvão”, que está “matando empregos”.

Para impulsionar o uso de combustíveis fósseis na matriz energética do país, o alvo principal do decreto de Trump é o Plano de Energia Limpa. Considerado uma das decisões mais importantes de Obama, o plano restringe a emissão de carbono por usinas de carvão, um elemento fundamental para ajudar os EUA a cumprirem seus compromissos com o Acordo de Paris.

O atual presidente também classificou o Plano de Energia como um ataque aos trabalhadores americanos e à indústria de carvão. A decisão foi elogiada pela Câmara de Comércio dos Estados Unidos, que afirmou que a administração Obama deixou “a energia mais cara com regulações que acabavam com empregos”.

“Iremos seguir em uma direção diferente. O governo anterior desvalorizou os trabalhadores com suas políticas. Podemos proteger o meio ambiente e também proporcionar trabalho às pessoas”, disse uma autoridade de alto escalão da Casa Branca aos repórteres antes do decreto desta terça-feira.

A ordem executiva também prevê a rescisão da moratória que proíbe a mineração de carvão em território americano, diz agências federais a revisar todas as “regulações, regras e políticas que servem de obstáculo à indústria de energia”, e retira menções ao “custo social do carbono” usada para justificar regulamentos climáticos.

Este é o primeiro passo concreto que o presidente americano dá para desmantelar as medidas ambientais conforme havia prometido durante a sua campanha política. Trump já havia afirmado várias vezes que acredita que o aquecimento global é “uma farsa inventada pelos chineses” e mostrou que iria cumprir a sua promessa política ao indicar Scott Pruitt para comandar a EPA.

Ambientalistas chamaram a ordem executiva de negligente e repudiaram o decreto presidencial. “Estas ações são uma agressão aos valores americanos e ameaçam a saúde, a segurança e a prosperidade de cada americano”, disse o ativista ambientalista Tom Steyer, diretor do grupo NextGen Climate.

Para Gina McCarthy, antiga líder da Agência de Proteção Ambiental, a decisão é “perigosa e embaraçosa para nós [EUA] e para nossos negócios em escala global”.

Apesar de a medida enfraquecer a ação americana no combate a mudança climática, especialistas afirmam que não será possível reverter tudo o que Obama fez em relação ao clima.

De acordo com uma pesquisa realizada pelo Grupo Rhodium, se todas as políticas climáticas forem revogadas, é muito improvável que os Estados Unidos atinjam as suas metas do Acordo Paris de reduzir as emissões em 26% abaixo dos níveis de 2005 em 2025. Em vez disso, as emissões estariam em 14%.

Especialistas ainda afirmam que é muito cedo para dizer se as ordens de Trump serão aceitas, já que juízes federais ainda podem contrariar a decisão e o congresso ainda precisa aprovar o orçamento da EPA.

Além disso, o atual presidente também pode perder o apoio dos seus eleitores. Pesquisas mostram que 84% apoiam a expansão da energia solar nos EUA e 77% acredita que as terras públicas devem ser usadas para gerar energia renovável.

Entre os eleitores republicanos, 57% concordam com a participação dos EUA no Acordo de Paris e 55% dos eleitores de Trump apoiam as políticas do governo Obama sobre mudança climática. Em contrapartida, apenas 28% dos eleitores do atual presidente acreditam que o país não deve participar do Acordo de Paris e 21% concordam que nada deve ser feito para reduzir a poluição que causa as mudanças do clima.

** Com informações do G1, Washington Post e Vox