Vale desprezou o risco de rompimento da barragem, afirma documento

(Foto: Divulgação/ Corpo de Bombeiros de MG)

A Vale já sabia que um eventual rompimento da barragem em Brumadinho poderia acontecer e destruiria as áreas industriais, incluindo o restaurante e a sede da empresa, aponta o plano de emergência da barragem de 18 de abril de 2018.

O documento obtido pela reportagem da Folha de S.Paulo junto a um dos órgãos oficiais. No caso de Brumadinho, o documento previa que a lama chegaria a 65 quilômetros da barragem.

“Parte da vegetação existente na área é classificada como de grande porte, como áreas de florestas e reflorestamento, além de áreas de pastagens, observando-se a presença de áreas antropizadas nas manchas urbanas”, afirma o relatório.

Ainda de acordo com a Folha, a Secretaria do Meio Ambiente e Desenvolvimento Social de Minas Gerais (Semad) só foi oficialmente avisada da situação às 13h30, uma hora depois do rompimento.

A demora ocorreu porque a equipe responsável pelos procedimentos de emergência estava na sede da empresa e pode ter sido um dos primeiros a serem atingidos pela lama.

Consta também no documento que “todos os dados de inspeção e monitoramento, incluindo as Fichas de Inspeção, são armazenados em um sistema interno de monitoramento das estruturas geotécnicas”. A Vale não apresentou ao público essas informações.

Procurada pela reportagem, a mineradora afirmou que o Plano de Ações Emergenciais de Barragem de Mineração (PAEBM) “foi construído com base em um estudo de ruptura hipotética, que definiu a mancha de inundação” e que a estrutura tinha “sistema de vídeo monitoramento, sistema de alerta através de sirenes (todas testadas) e cadastramento da população à jusante”

Até o momento, 110 pessoas morreram, sendo 71 deles identificados. Cerca de 238 pessoas ainda estão desaparecidas, 192 resgatados e 395 localizados.

Um vídeo obtido pela BandNews, nesta sexta (01), mostra o momento que a lama avança para Brumadinho