Vazamento fecha praias na China e Samarco se livra de ação no Brasil

(Foto: Departamento de Serviço de Informações de Hong Kong/ Divulgação via REUTERS)

Nesta terça-feira (11), o governo de Hong Kong interditou mais 11 praias após o vazamento de óleo de palma, subindo para 13 o número de praias fechadas.

O vazamento ocorreu após a colisão de duas embarcações no estuário do Rio das Pérolas, na quinta-feira. Segundo o governo, o óleo não é tóxico, mas devido a grande quantidade, as praias permanecerão fechadas.

Até o momento, foram recolhidas mais de 50 toneladas de óleo do mar e 110 sacolas de restos do produto apenas na Ilha de Lamma por trabalhadores. Estima-se que 200 toneladas de óleo ainda estejam nas praias chinesas.

O desastre ambiental revoltou moradores e ambientalistas por ocorrer um ano após praias de Hong Kong serem invadidas por toneladas de lixo vindas da China continental, onde empresas descartam seus resíduos no mar para economizar custos, segundo conservacionistas.

Enquanto isso no Brasil…

A justiça federal de Ponte Nova (MG) suspendeu o processo criminal que acusa 22 pessoas e as empresas Samarco, Vale, BHP Billiton e VogBR de homicídio pela morte de 19 pessoas no rompimento da barragem de Fundão, em novembro de 2015.

O juiz federal de Ponte Nova, Jacques de Queiroz Ferreira, aceitou o pedido de anulação do processo da defesa do diretor-presidente da Samarco, Ricardo Vescovi, e do diretor-geral de Operações, Kleber Terra, que afirma que a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) usou provas ilícitas.

De acordo com o juiz, a defesa contestou o fornecimento de dados não requisitados e o seu uso na denúncia. “Acresceram que outra nulidade ocorreu quando da determinação dirigida à Samarco para que apresentasse cópias das mensagens instantâneas (chats) e dos emails enviados e recebidos entre 01/10/2015 e 30/11/2015, visto que a empresa forneceu dados não requisitados, relativos aos anos de 2011, 2012, 2013 e 2014, que, da mesma forma, foram objeto de análise policial e consideradas na denúncia, desrespeitando a privacidade dos acusados”, disse.

O MPF pediu esclarecimentos às companhias telefônicas sobre os períodos de monitoramento solicitado. O juiz levou em consideração o pedido do Ministério Público. Porém deixou claro que o processo está suspenso até a decisão definitiva.

O rompimento da barragem de Fundão da Samarco é a maior tragédia ambiental no Brasil. A lama de rejeitos soterrou o distrito de Bento Rodrigues, atingiu 40 cidades em Minas Gerais e no Espírito Santo e contaminou a bacia do Rio Doce.

** Com informações da Reuters e do Estadão