Agricultura brasileira será uma das mais prejudicadas pela mudança climática

(Foto: Pixabay)

Os impactos das mudanças climáticas podem reduzir a produtividade da agropecuária do Brasil, um dos países que será mais afetado pelo crescimento da temperatura. 

A conclusão é do estudo “Papel dos Planos ABC e Planaveg na adaptação da agricultura e da pecuária às mudanças climáticas”, coordenado pelo WRI Brasil com a participação de especialistas em clima e agropecuária, divulgado nesta quinta (28).

De acordo com o estudo, temperaturas acima de 34 graus prejudicam o florescimento e a frutificação do feijão e comprometem a fotossíntese.

O café pode ter sua produtividade reduzida. As mudanças do clima podem reduzir em 95% a área apta para a cultura nos estados de Goiás, Minas Gerais e São Paulo, e em 75% no Paraná. Outras culturas, que devem ser severamente impactadas, são a laranja e a soja. 

Considerando o cenário mais pessimista do IPCC, o Brasil pode perder 2,5% do PIB em 2050 por conta do impacto das mudanças climáticas na agropecuária.

O estudo do WRI Brasil aponta que o Plano ABC (Agricultura de Baixo Carbono) e o Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg) podem ajudar o Brasil a mudar o rumo.

Segundo o pesquisador da Embrapa, Eduardo Assad, “juntos, o Plano ABC e o Planaveg contribuem para a redução dos gases de efeito estufa, mas também favorecem a adaptação do agronegócio nacional a esse novo cenário”.

As medidas previstas pelas iniciativas são o uso de tecnologias com potencial de tornar a agricultura mais resiliente e sustentável; recuperação de pastagens degradadas (RPD); integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF); sistemas agroflorestais (SAF); sistema plantio direto (SPD); fixação biológica de nitrogênio (FBN), florestas plantadas e tratamento de dejetos animais, e regularização ambiental das propriedades rurais brasileiras.

Se um produtor investir em um sistema de ILPF em vez de uma produção convencional, por exemplo, teria benefícios como: o aumento da umidade do ar e disponibilidade de água em sua propriedade; melhoria na fertilidade do solo e redução da erosão; diminuição na frequência de ondas de frio, de calor, secas e desastres naturais; e aumento de produtividade e renda.