Bioinsumos incentivam a transformação do sistema agrícola

(Foto: Pixabay)

O presidente do Instituto Brasil Orgânico (IBO), Rogério Dias, afirmou que os bioinsumos não são apenas um pacote tecnológico, mas uma ferramenta na transição para um modelo agrícola mais sustentável e harmônico com o meio ambiente.

“Às vezes a gente pensa nos bioinsumos como um insumo biológico que veio para substituir o químico. Mas na realidade, quando falamos de agricultura de base agroecológica, estamos falando de uma transformação do sistema do que simplesmente uma mudança de pacote tecnológico”, disse Dias durante live promovida pelo movimento Contra os Agrotóxicos. O evento online debateu o que são os bioinsumos e a sua importância para a agroecologia e a agricultura orgânica.

“Um insumo pode ser permanente e com longo prazo de atuação. Temos que entender que estamos falando de uma transformação e a substituição dos insumos químicos. Mas isso é uma parte da transição no sistema de produção”.

Para o presidente do IBO, o Programa Nacional de Bioinsumos entende os bioinsumos no seu contexto geral. A proposta deve abranger a comercialização de produtos, a capacitação profissional e pesquisas. Além de reduzir a dependência de produtos externos.

Rogério Dias alerta que as empresas produtoras de agrotóxicos têm pressionado o Ministério da Agricultura (MAPA) para que o Programa tenha foco na fabricação de bioinsumos comerciais e para proibir a produção dos insumos pelos próprios agricultores.

“A gente não pode deixar que a proposta do Programa Nacional de Bioinsumos caia em uma lógica já setorizada, porque a gente perde a visão do bioinsumo como algo que vai além do produto em si. O que estamos discutindo é que o programa tem que ter essa abordagem holística”, disse.

“É fundamental nós termos produtos comerciais, que possam ser usados para controle biológico. Nós temos pragas migratórias pelo desequilíbrio gerado por uma situação climática. E que esses produtos também estejam no mercado para os agricultores convencionais. Quanto mais gente estiver usando, mesmo que seja apenas por ser mais eficiente e ser mais econômico, já estamos transformando e reduzindo o impacto que está acontecendo no campo”, complementou.

Letícia Ozório, agricultora e Presidente da Orgânicos Sul de Minas e membro da Rede Agroecológica da Mantiqueira, conta que a fabricação do próprio bioinsumo é uma realidade para todos produtores da Orgânicos Sul de Minas. Para muitos agricultores, os produtos externos destinados a produção orgânica são caros, inacessíveis e tratam de um problema específico.

“Na agroecologia não é tratado um problema pontual, é preciso analisar o motivo e tratar com cuidado, o que o produto exterior não oferece”, disse Ozório. “A produção própria é uma alternativa e um resultado positivo para a transição. Os bioinsumos são importantes aliados dos sistemas de produção e na promoção de uma produção agrícola mais sustentável”.

Ela defendeu que a produção própria de bioinsumos valoriza o conhecimento dos produtores adquiriram, o seu direito de produzir o que considera melhor, o direito de escolher o que é melhor para ele e a sua propriedade, de fazer a gestão dos recursos financeiros, e a independência das grandes empresas produtoras de insumos.

A perecibilidade dos bioinsumos é um dos grandes desafios do setor. Ao contrário dos agrotóxicos, que tem um prazo de validade longo, os insumos biológicos tem uma vida curta, tem problemas com temperatura e exposição ao sol, o que torna a logística difícil.

A solução, segundo Rogério Dias, é criar biofábricas próximas das áreas onde os produtos serão utilizados para fomentar e viabilizar o uso desses insumos, e estimular o desenvolvimento de produtos “a partir de organismos diferentes que sejam interessantes para as culturas daquela região”.