Brasil precisa acabar com falácias para garantir segurança alimentar

trator na plantação
(Foto: Xavi Moll/ Unsplash)

O Brasil tem que produzir alimentos a partir de processos produtivos sustentáveis e modernos, e sem usar o passado para justificar os erros cometidos no presente, afirmaram especialistas em agronegócio no painel “O Agro brasileiro e a crise global” do Congresso Brasileiro do Agronegócio.

Paulo Sousa, Presidente da Cargill no Brasil, afirmou que o consumidor é quem define como as empresas agem. A exigência de padrões cada vez mais altos para o Brasil está relacionada a imposição de padrões mais rigorosos na Europa. O continente europeu impôs a si mesmo metas para reduzir as emissões de carbono.

Sousa avalia que é “coerente por parte do consumidor exigir que o que ele compra para comer tenha esse mesmo rigor”

O presidente da Cargill ressaltou que os produtores brasileiros não devem parar com as falas de que outros países desmataram há anos. “Reclamar que eles desmataram há mil anos atrás não vai adiantar. Essa argumentação de que outros países já fizeram no passado e agora é a nossa vez, é uma conversa que não vai levar a nada”.

“O fato é que o Brasil tem um papel muito relevante para suprir a cadeia global de alimentos. Temos que fazer isso de acordo com os critérios modernos e que os nossos consumidores querem e aprovem”, complementou.

Para Márcio Lopes de Freitas, Presidente do Sistema OCB, a pandemia de Covid-19 acelerou a mudança nas bases da sociedade e deixou evidente que devemos parar de culpar o passado para garantir o futuro.

“Chega de botar a culpa no passado e falar sobre o ‘meu bom comportamento passado’, ‘até aqui eu fiz a coisa certa’. Agora, tem que ver o que o consumidor quer, o que a humanidade quer. A humanidade quer mudança, quer comportamento do produtor adequado com o que eles querem como consumidores”, avaliou.

“O nosso produtor rural tem que perceber que ele não é um produtor de commodities ou de um produto com valor agregado. Ele é um produtor que tem que levar esses alimentos para uma nova humanidade”.

Sobre a retórica de que grandes consumidores ainda não se preocupam com um processo sustentável, Paulo Sousa afirmou que é uma questão de tempo para que comecem a se preocupar e que as populações mais jovens desempenharão um papel essencial no futuro das empresas.

“O Brasil tem a obrigação de suprir o mundo de maneira sustentável. As gerações mais novas vão começar a optar e gastar com os produtos de empresas que estão alinhadas aos valores que eles têm em relação ao uso do meio ambiente, a emissão de carbono e a parte social”, concluiu.

Grazielle Parenti, Presidente do Conselho Diretor da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA), ressaltou que a concepção de que o sustentável vai ser caro é uma ilusão que deve acabar.

“O sustentável não vai ser caro para sempre. Quanto mais escala, mais isso vai chegar na ponta. As pessoas estão muito ligadas a isso. Temos uma ilusão de que tem uma barreira, mas isso não existe. Hoje, tem essa preocupação. As empresas entendem que é um caminho sem volta”, disse.

O Presidente do Sistema OCB, Márcio Lopes de Freitas, acrescentou que a rastreabilidade de todos os processos já é uma exigência do consumidor, que busca saber mais qual a origem do que consome e como foi produzido. E isso inclui a redução no uso de agrotóxicos.

“Há cinco anos, era nicho de mercado com os orgânicos. Agora é tendência. O processo de produção está exposto e o produtor deve ter cada vez mais cuidado. Isso é resultado de uma sociedade cada vez mais consciente. O consumidor vai cobrar”.