Diversidade de culturas pode reduzir impacto das mudanças climáticas

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Estudo da Universidade de Stanford constatou que fazendas com cultivo diversificado são mais estáveis, fornecem um habitat mais seguro para as aves e se protegem contra os impactos das mudanças climáticas com muito mais eficácia do que as fazendas de cultivo único.

Os pesquisadores analisaram quase 20 anos de dados de campo, meticulosamente coletados ,para entender quais aves vivem em florestas tropicais naturais e em diferentes tipos de terras agrícolas. E compararam fazendas de monocultura – como abacaxi, arroz ou cana-de-açúcar – a fazendas diversificadas que entrelaçam várias culturas.

O autor do estudo e diretor do Stanford Natural Capital Project, Gretchen Daily, explica que as fazendas diversificadas podem amortecer os efeitos nocivos das mudanças climáticas, como as estações secas prolongadas, calor extremo e a degradação das florestas, que devem atingir os trópicos com mais intensidade.

As regiões tropicais enfrentam as maiores ameaças à biodiversidade. À medida que as florestas são derrubadas para plantar culturas comerciais, como banana e cana-de-açúcar, a quantidade e a disponibilidade de habitats naturais diminuíram drasticamente. Enquanto isso, as mudanças climáticas resultaram em estações secas mais longas e quentes, que tornam a sobrevivência das espécies ainda mais desafiadora.

O estudo ainda mostrou que as fazendas diversificadas também protegem as aves mais ameaçadas, como a Arara Verde e o Papagaio-de-bico-amarelo, que estão em risco na Costa Rica devido à perda de habitat e ao comércio ilegal de animais de estimação.

Enquanto em fazendas monocultoras intensivas, essas espécies estão em declínio. “Fazendas que são boas para pássaros também são boas para outras espécies. Podemos usar as aves como guias naturais para nos ajudar a projetar melhores sistemas agrícolas”, disse Jeffrey Smith, estudante de pós-graduação no departamento de biologia e coautor do artigo.