IBGE corta questões sobre agricultura familiar e agrotóxicos de censo rural

(Foto: Reprodução)

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) reduziu o questionário do censo agropecuário, devido o corte de gastos do governo federal.

A pesquisa não apresentará questões sobre agricultura familiar, uso de agrotóxico e a raça das pessoas, por exemplo. Além disso, o número de recenseadores também diminuiu de 80 mil para 26 mil.

A jornalista Mônica Bergamo teve acesso a um documento interno sobre o censo que admite que “é sensível que a redução do questionário foi drástica, […] contudo ele atende minimamente à demanda de atualização”.

Para Dione Oliveira, do sindicato de servidores do instituto, “haverá um prejuízo irrecuperável para a série histórica de alguns itens”.

Questionado pela jornalista, o IBGE respondeu em nota que a pesquisa foi “redesenhada” para ser “exequível” com o orçamento de R$505 milhões (50% do esperado) e segue as recomendações internacionais “para preservar as informações essenciais”.

O novo censo agropecuário deve começar em outubro, após dois anos de atraso.

Análise ONB

Infelizmente o Brasil não consegue ter visão de futuro. Tirar os dados sobre agricultura familiar retarda, ainda mais, dados sobre agricultura orgânica, sustentável e natural. O pior, ou tão ruim quanto, é omitir perguntas para aferir uso de agrotóxico. Isso é importante para política de segurança alimentar.

O Brasil perde. O censo é importante, está atrasado dois anos e será incompleto. É preciso investir em informação e dados para desenhar estratégias de políticas públicas.