Implementação de políticas públicas é fundamental para avanço da agricultura digital

(Foto: Pixabay)

Os desafios brasileiros frente à adoção da agricultura digital no pós-pandemia depende da implementação de políticas públicas e da atuação coordenada de instituições de pesquisa, empresas do setor privado e startups.

A análise foi apresentada pela chefe geral da Embrapa Informática Agropecuária, Silvia Massruhá, uma live durante o primeiro dia da Feira Agrotecnológica do Tocantins (Agrotins).

Segundo a pesquisadora, o conceito de agricultura 4.0 é uma referência à revolução ocorrida na indústria automobilística alemã, com base no conteúdo digital, na tecnologia de ponta e na conectividade, que influenciou outros setores da economia, como o agronegócio.

A agricultura digital estende a ideia de conectar máquinas para o tratamento dos diferentes tipos de dados (colhidos de sensores, colheitadeiras, imagens de satélite e drones) para auxiliar a tomada de decisão de produtores de pequeno médio e grande porte.

“A bioinformática está cada vez mais presente em todas as etapas, desde a pré-produção, na produção e também nas etapas de comercialização, armazenamento, distribuição e logística, como forma de agregar mais valor à cadeia produtiva”, apontou.

Massruhá citou o Tambaplus, sistema da Embrapa apresentado na Agrotins e que permite a redução de perdas de produtividade a partir do planejamento racional de cruzamentos.
A sua mais ampla adoção no agro brasileiro enfrenta muitos desafios. Mas a situação que aparentemente demoraria décadas para acontecer nesse campo da inovação começou a virar realidade com a chegada do novo coronavírus.

“A pandemia funcionou como um acelerador de futuro e muitas tecnologias tiveram de ser incorporadas por produtores em questão de meses”, aponta a pesquisadora.

A especialista citou a recente capacitação online para técnicos da Conab sobre o uso do WebAgritec, um sistema de planejamento e monitoramento da safra, e também a adoção pelo Banco Central do Sistema de Análise Temporal da Vegetação (SATVeg) para que agentes do Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro), impossibilitados de efetuar a comprovação presencial de perdas agrícolas, possam fazer a fiscalização pela internet.

A tecnologia digital também tem ajudado na aproximação de pessoas, facilita a chegada dos insumos até os produtores e da produção até o consumidor, proporcionando, ainda, capacitações online e a iniciativa de realização de feiras em versões 100% Digital.