Integração lavoura-pecuária-floresta neutraliza as emissões das fazendas

(Foto: Pixabay)

A implantação do sistema de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) em 15% da área de produção de uma fazenda é suficiente para compensar todas as emissões de gases de efeito estufa (GEEs) da propriedade, revelaram pesquisas da Embrapa Cerrados.

O estudo analisou a capacidade do sistema ILPF de compensar a emissão de GEEs pela atividade agropecuária, a partir de duas áreas experimentais, com medições de balanço de carbono.

Os pesquisadores constataram que uma população de 417 árvores de eucalipto por hectare em um sistema ILPF em apenas 15% da área da fazenda é capaz de neutralizar as emissões de metano e de óxido nitroso.

“Para que haja a compensação das emissões de gases de efeito estufa, uma propriedade com mil hectares de pastagem, por exemplo, deve destinar 150 ha ao sistema ILPF com 417 árvores/ha com taxa de lotação de 1,7 cabeça de gado/ha”, detalha Kleberson de Souza, pesquisador da Embrapa.

Caso o sistema seja de integração lavoura-pecuária (sem as árvores), o produtor teria de destinar 850 hectares da mesma propriedade para conseguir a neutralização das emissões, considerando uma taxa de lotação de três cabeças de animais por hectare.

A quantidade de árvores também pode ser menor, desde que o sistema ILPF seja adotado em área total de produção. Nesse caso, é possível manter aproximadamente 70 árvores por hectare, com taxa de lotação de 1,7 cabeça/ha, isto é, 0,7 unidade animal (UA).

A taxa de lotação diz respeito ao número de unidades animais (UA) que podem ser colocadas por hectare e cada UA corresponde a 450 kg de peso vivo.

Os estudos comprovaram que para que se tenha um saldo positivo significativo de carbono é preciso que o componente florestal seja inserido no sistema de produção agrícola.

“São menos comuns os casos em que os estoques de Carbono no solo sob os sistemas agrícolas superam os estoques da vegetação nativa adjacente. Ou seja, é difícil obter saldo positivo de carbono caso o componente florestal não seja inserido no sistema de produção agrícola”, afirma Souza.

No experimento de ILPF da Embrapa Cerrados, uma única árvore do híbrido de Eucalyptus urograndis, com sete anos de idade, foi capaz de acumular, em média, 30,2 kg de C/ano (considerando 45% de C da massa seca de biomassa aérea da planta). Isso equivale ao sequestro de 110,5 kg de CO2/ano da atmosfera por cada árvore inserida no sistema. No sistema ILP, esse tipo de sequestro de carbono ocorre, em grande parte, devido ao sistema de raízes da pastagem e da palhada depositada sobre o solo, e tende a se estabilizar com o tempo.