México se prepara para seguir modelo agroecológico

(Foto: Pixabay)

O secretário do Meio Ambiente, Victor M. Toledo, afirmou que o México está em transição de um modelo agroindustrial para um modelo agroecológico e se posicionará como um país modelo na reconversão dos sistemas alimentares para a inclusão agroecológica.

Para o governo mexicano, a agroecologia é fundamental para as políticas ambientais, agrícolas e pecuárias intimamente ligadas à questão do bem-estar da sociedade. A medida também busca a saúde ambiental e humana, apoia os pequenos produtores e, principalmente, respeita e reconhece o conhecimento dos povos originários.

Toledo explica que a política de Meio Ambiente atua em sete transições ambientais, sendo uma delas a produção sustentável de alimentos saudáveis. Está sendo elaborado um plano estratégico de agroecologia com o apoio de um grupo de pesquisadores e em colaboração com a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO).

O secretário de Meio Ambiente anunciou que junto com as Secretarias de Bem-Estar e Agricultura e Desenvolvimento Rural, será promovido um programa nacional de resgate do café, já que a produção do café é realizada por 90% de pequenos produtores, camponeses e famílias indígenas.

Também foi criado o Grupo Intersecretarial de Saúde, Alimentação, Meio Ambiente e Competitividade (GISAMAC), voltado para atender toda a cadeia alimentar, da produção ao consumo para a geração de alimentos saudáveis.

O grupo busca a eliminação de 80 agrotóxicos. O primeiro que deve ser banido do país é o glifosato. O presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, deve publicar um decreto em breve em que o herbicida será totalmente proibido no país em 2024.

No dia 1º de outubro, os alimentos passarão a ter uma nova rotulagem que apresentará mais informações aos consumidores sobre os efeitos nocivos de algumas substâncias que alguns alimentos contêm.

Ao falar sobre “Agrobiodiversidade, base funcional de agroecossistemas sustentáveis ​​e resilientes”, o presidente da Sociedade Científica Latino-Americana de Agroecologia, Santiago Saradón, alertou que a agricultura depende da biodiversidade. No entanto, ressaltou que essa atividade é a que mais tem gerado impacto na diversidade biológica.

Isso se deve à ideia de que a monocultura era a melhor forma de aumentar a produção de alimentos por muito tempo, o que implicava reduzir a variedade de vida que interage nos ecossistemas, explica o especialista. Por isso, ele confiou que a agrobiodiversidade reverterá esse quadro resgatando a biodiversidade nos sistemas produtivos.