Nova fintech democratizará acesso de produtores orgânicos ao crédito

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(Foto: Pixabay)

A XP Inc. e a VERT, maior securitizadora do agronegócio brasileiro, lançaram a fintech DuAgro, uma plataforma integrada ao mercado financeiro de capitais que utiliza tecnologia para promover o financiamento para a compra de insumos agrícolas e democratizar o acesso a linhas de crédito ao produtor rural.

A DuAgro nasce com o propósito de fomentar o novo agronegócio: comprometido com a responsabilidade socioambiental e apto a acessar taxas melhores no mercado de investidores de green bonds e ESG.

A fintech propõe uma abordagem inédita: o financiamento através da plataforma da fintech se ajusta à dinâmica da compra de insumos do produtor e a aprovação de crédito é totalmente digital. Quando o produtor acessa a plataforma, o seu limite já está pré-aprovado no valor da compra. Basta ele confirmar os dados cadastrais, fazer o upload dos documentos pessoais e assinar eletronicamente a CPR financeira (Cédula de Produto Rural – Financeira). Não há exigência de garantias, o que garante a agilidade do processo.

Para a linha de custeio padrão, o produtor só é elegível ao crédito se suas práticas forem compatíveis com o compliance socioambiental da fintech, que leva em conta diversas bases de dados. Toda essa pesquisa é feita em uma etapa anterior à concessão do recurso.

Algumas das práticas socioambientais já exigidas nas linhas “padrões” da DuAgro são: conformidade com o código florestal brasileiro; não praticar plantio em áreas indígenas, em unidades de conservação e áreas embargadas pelo Ibama; não ter autuações relacionadas a condições de trabalho infantil e análogas a trabalho escravo, entre outras.

O foco de atuação da fintech é os pequenos e médios produtores, que juntos respondem por cerca de 70% do valor da produção total da agropecuária brasileira. “Acessar pequenos e médios produtores é difícil porque eles estão espalhados. A formalização de documentos físicos em cartórios inviabiliza muitas operações. Para resolver essas e outras questões, criamos uma ferramenta totalmente digital, que atende rapidamente o produtor em qualquer região do país”, afirma Fernando Mello, CEO da DuAgro.

A fintech também está desenvolvendo uma outra linha de financiamento: a “linha verde”. Apesar dos critérios ainda estares sendo desenhados, eles estarão de acordo com as melhores práticas agrícolas e com as diretrizes do mercado internacional de Green Bonds.

Ao ONB, a fintech adiantou que a linha terá critérios adicionais a linha padrão e a possibilidade de inclusão do direcionamento para insumos mais sustentáveis.

A “linha verde” está relacionada ao plano de investimento em títulos verdes que o Ministério da Agricultura lançou no mês passado. “Estamos buscando alternativas de como aplicar e mensurar o impacto sócio-ambiental em uma carteira pulverizada de investidores. Muitas das práticas ou medidas reconhecidas mundialmente se aplicam a produtores ou empresas com maior nível de governança e carteiras com poucos credores”, disse Mello.

“No caso de títulos verdes, para milhares de pequenos e médios produtores é importante ter um alinhamento entre os diversos stakeholders de “linhas verdes” de que práticas são essas e quão viável é acompanhá-las. É a isso que estamos nos dedicando, nos envolvendo em grupos de trabalho e discussões”, complementou.