O desmatamento pode afetar a produção de milho no Brasil

(Foto: Pixabay)

O desmatamento e a prática de limpeza de terras no Brasil estão alterando o clima e podem reduzir significativamente a produção de milho, um dos cultivos agrícolas mais importantes do Brasil, mostrou um estudo da Universidade de Dartmouth.

A pesquisa analisou os impactos do agronegócio e das mudanças climáticas nas principais áreas agrícolas do Brasil, a partir de um modelo climático regional do Centro Nacional de Pesquisa Atmosférica. O modelo foi executado entre 2000 e 2015, usando seis cenários diferentes de cobertura da terra.

Os pesquisadores examinaram diferentes variáveis, incluindo as chuvas do Cerrado e da Amazônia, os limites críticos de temperatura agrícola e a evapotranspiração – quando água é “reciclada” de volta para a atmosfera.

De acordo com a pesquisa, o cultivo de soja e milho depende das chuvas. Hoje, apenas 6% das terras cultivadas no Brasil são irrigadas. Quanto maior o desmatamento, menos acontece a evapotranspiração, o que pode levar a menos chuvas.

O estudo mostra que o desmatamento degradou o clima no Cerrado brasileiro. Todos os cenários de limpeza das terras apontaram mais dias com temperaturas superiores a temperatura que o cultivo do milho deve estar exposto para ser bem-sucedido  A redução na taxa de evapotranspiração afeta diretamente o balanço de água e energia.

Com as noites mais quentes, a produção de milho foi reduzida de 6% a 8%, quando comparada com cenários de limpeza de terras anteriores. O cenário mais conservador demonstrou que havia oito noites mais quentes do que antes da limpeza, em comparação com 20 a 30 noites mais quentes no cenário mais extremo. Os rendimentos da soja não foram afetados, mas a soja é muito mais resistente a temperaturas mais altas .

“Nossas descobertas revelam como as práticas de desmatamento e desmatamento no Cerrado brasileiro estão minando a produção agrícola de sequeiro, que é uma das principais razões pelas quais o Cerrado é desmatado”, explicou a coautora Stephanie A. Spera, professora assistente de geografia e ambiente na Universidade de Richmond.

Estudos anteriores já havia constatado que o Cerrado brasileiro é muito menos protegido e está salvando a Amazônia do avanço da agropecuária. Se o produtor possui terras na Amazônia, legalmente, é obrigado a proteger 80% das terras. No entanto, se as terras estão no Cerrado, precisará proteger apenas 20% da terra. Como resultado, apenas 3% de todo o Cerrado é protegido legalmente.