Pastagens subutilizadas podem ampliar área de soja sem desmatamento

(Foto: Pixabay)

A conversão de pastagens subutilizadas em áreas agrícolas é a solução para ampliar a área de cultivo de soja no Cerrado brasileiro, nos próximos 10 anos, sem desmatar mais bioma, segundo estudo feito pela organização TNC Brasil, em parceria com a consultoria Agroicone.

O levantamento constatou que há mais de 18,5 milhões de hectares de pastagens no bioma adequados à produção de soja. O número é mais do que o dobro do que realmente é necessário nas condições atuais de mercado, para garantir a expansão da produção por, no mínimo, 10 anos.

Segundo o estudo, a expansão da soja em terras de pasto já existentes tem custo menor de implantação e maior produtividade, além de ter rendimentos máximos de conheiras três vezes mais rápido do que em áreas com vegetação nativa que precisam ser desmatadas.

Isso acontece por um fenômeno chamado “mudanças das condições climáticas em nível não-local”, que reduz a produtividade em 10%  em um raio de 50 km ao redor de áreas desmatadas.

Além do uso de pastagens, a integração de lavoura com pecuária e floresta é uma forma do produtor ter uma plantação mais sustentável, já que a monocultura de soja torna o sistema de produção cada vez mais frágil e causa impactos no meio ambiente local.

A organização estima que são necessários R$24 bilhões para converter pastagens degradadas em áreas de lavoura em 10 anos, uma fração do crédito rural disponível no país.

“A produção e a natureza estão diretamente relacionadas. Diversos atores, como produtores, traders e setor financeiro, precisam trabalhar juntos para encontrar mecanismos que permitam garantir segurança alimentar, conservando a natureza”, afirma José Otavio Passos, especialista em negócios e investimentos na TNC Brasil, autor do estudo.

O especialista conclui que “para uma produção em quantidade, constância e qualidade adequadas, precisamos de sistemas resilientes o que depende da preservação do meio ambiente”.

O Cerrado tem uma área maior que a soma dos territórios da Alemanha, Espanha, Itália, França e Reino Unido, e é um dos biomas mais utilizados pela agropecuária. Entre agosto de 2018 e julho de 2019, foram desmatados 648,4 mil hectares. Mas resta pouca mata original preservada.