Pó de rocha é tecnologia para recuperação de solos degradados e melhor qualidade de produtos agrícolas

(Foto: Reprodução Youtube)

O Instituto Brasil Orgânico (IBO) discutiu o tema no webinar “Pó de Rocha: renovação mineral dos solos de forma natural”, mediado pelo agrônomo e diretor do IBO, José Pedro Santiago, com participação do Dr. em geologia Eder Martins, a Dra. em desenvolvimento sustentável, Suzi Theodoro; e o especialista em fertilizantes, Hideraldo Coelho.

O consumo mundial de fertilizantes no mundo vem crescendo. No Brasil, o mais consumido é o potássio e somos dependentes do produto, principalmente o importado. O pó de rocha é uma prática agrícola de minerais/rochas moídas que pode recuperar solos degradados.

”A rochagem recupera e rejuvenesce o solo. A diversidade geológica do Brasil facilita o uso da tecnologia, praticamente coloca toda tabela periódica no uso de pó de rocha, em especial pela agricultura familiar e em áreas degradadas no sistema agroflorestal. Artigo na revista científica Nature identifica que o Brasil tem potencial de benefícios com a mineralização de solo em substituição à fertilização solúvel, com produtividade superior, além de eficaz para o sequestro de CO2 e sem contaminação da água”, explica Dra. Suzi Theodoro.

O custo é muito mais baixo, o pó de rocha é uma solução para a saúde do solo, a qualidade doa alimentos e o equilíbrio da natureza.

Eder Martins, Doutor em geologia, explica que a rochagem é rica em magnésio, cálcio, potássio e os 20 remineralizadores registrados estão em menos de 200 Km das áreas agrícolas, contribuindo para a sustentabilidade do processo. “O potencial é até de criar solo, mudar as características mineralógicas do solo. A atividade biológica desses sistemas é semelhante à orgânica, garantindo a segurança alimentar e qualidade do alimento. Na China, estão usando os processos para neutralizar os solos contaminados com metais pesados”.

E como é o protocolo de registro e uso da rocha? Quem explicou foi Hideraldo Coelho, ligado ao Ministério da Agricultura (MAPA) e integrante do grupo que elaborou a lei de regulamentação. “Para utilizar o pó de rocha haverá necessidade de registro no MAPA. Esse controle vai balizar o uso correto, com as características desejáveis e o potencial comercial muito mais atrativos para o produtor. Sabemos que é preciso que os laboratórios analisem o material biológico para facilitar o registro, e nisso o Grupo Técnico faz a ponte com os credenciados para facilitar e agilizar o processo burocrático”.

A rochagem põe o Brasil, com mais de 10 mil mineradoras, na liderança da técnica de recuperação de solos degradados, da pesquisa científica no segmento e metodologias de uso, que servirão para o mundo todo. “Temos certeza da eficiência do pó de rocha como uma técnica essencial para a agricultura e de pastagens degradadas com resultados muito relevantes para o país”.

Mais informações sobre o lançamento do BioAS, a avaliação dos solos usada como indicador agroambiental para avaliar sustentabilidade de sistemas de produção agrícola.