Polinização natural evita prejuízo de R$43 bilhões a agricultura

(Foto: Pixabay)

Agricultores brasileiros gastariam R$43 bilhões se os animais polinizadores não contribuíssem para a produção de alimentos, estima nova pesquisa. Cerca de 80% desta quantia está associada a quatro cultivos de grande importância agrícola: soja (60%), café (12%), laranja (5%) e maçã (4%).

O estudo da Plataforma Brasileira de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (BPBES) e da Rede Brasileira de Interações Planta-Polinizador (Rebipp) é o primeiro deste tipo no Brasil e analisou mais de 400 publicações, que analisaram 67 culturas.

Das 191 culturas produzidas no Brasil, 114 são visitadas por polinizadores e 91 são dependentes desse serviço, sendo que em 69, a ação desses animais aumenta a quantidade e/ou a qualidade da produção.

Além disso, a polinização é essencial para 35% das culturas analisadas, 24% delas têm uma dependência alta, para 10% é modesta e 7% tem pouca dependência.

Segundo a coordenadora do estudo, Kayna Agostini, professora da Universidade Federal de São Carlos, os polinizadores nativos são “muito mais eficientes do que os introduzidos, como a abelha europeia”, e podem proporcionar uma diferença de até 200 gramas em um fruto.

No caso da berinjela, por exemplo, a presença do polinizador específico gera um incremento de cerca de 180g por unidade no produto final. “Isso, na prateleira, faz diferença para o produtor”, pontua Agostini.

Atualmente, mais de 600 espécies de animais no Brasil visitam as produções agrícolas, sendo que pelo menos 250 têm potencial de polinização. A lista inclui abelhas, besouros e borboletas.