Universidade paranaense obtém 1ª patente com biofertilizante orgânico

(Foto: Atila F. Mógor/ Divulgação)

O Instituto Nacional da Propriedade Intelectual (Inpi) emitiu a primeira patente verde a Universidade Federal do Paraná (UFPR) pelo desenvolvimento de um biofertilizante que pode ser usado na agricultura orgânica. Esta é a primeira vez que uma patente é obtida por meio de uma pesquisa realizada na instituição de ensino.

Conduzida no Programa de Pós-Graduação em Agronomia – Produção Vegetal (PPGAPV), a pesquisa obteve aminoácidos livres da biomassa hidrolisada da microalga Arthrospira sp., uma cianobactéria, grupo de bactérias de cor verde-azulada que faz fotossíntese liberando oxigênio na atmosfera. Elas se adaptam bem à vida no solo, em pântanos, em águas salobras ou doces.

O resultado foi uma fonte bioativa que estimula o processo de crescimento e o desenvolvimento das plantas.

“O produto não é um fertilizante clássico, pois não é essencialmente um fornecedor de nutrientes para as plantas. Para registro no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, se enquadraria na classe dos biofertilizantes, que são produtos caracterizados por seus efeitos bioativos, ou seja, estimulam nas plantas resposta de sinalização, e não de nutrição”, explica a pesquisadora Gilda Mógor, principal inventora da patente.

Os experimentos foram realizados no Laboratório de Biofertilizantes e na Área de Olericultura Orgânica da Fazenda Canguiri, estação da UFPR localizada em Pinhais, na região metropolitana de Curitiba. As plantas usadas nos experimentos foram alfaces.

Segundo Mógor, as plantas que cresceram mais depressa devido ao biofertilizantes foram alfaces cultivadas no campo. Mas os ensaios apontaram que o produto é versátil com potencial para uso em outros cultivos e para ser comercializado.

As microalgas podem ser cultivadas em qualquer lugar do Brasil. As cianobactérias usadas no biofertilizante foram cultivadas no Departamento de Fitotecnia e Fitossanidade do Setor de Ciências Agrárias da UFPR, em sistema de fotobiorreator fechado, ou seja, em escala laboratorial. Mas a produção em grande escala é possível.

“Os biofertilizantes em geral são obtidos de processos fermentativos ou fracionamento, como por exemplo, extratos de macroalgas coletadas dos oceanos. Um produto obtido de microalga traz uma forte característica de sustentabilidade, pois a produção de biomassa em fotobiorreatores, como biofábricas, mitigam os efeitos da emissão de gás carbônico”, diz Gilda.

O laboratório reúne uma série de pesquisas que buscam alternativas naturais para a promoção do crescimento vegetal, conforme os preceitos da produção orgânica. A linha abrange diversas pesquisas para incremento de agricultura orgânica, da iniciação científica ao stricto sensu (mestrado e doutorado), por meio de investigações de diferentes fontes de biofertilizantes, como na produção de mudas e cultivos orgânicos de tomate, batata e cebola, por exemplo.