Investidores sinalizam empresas de proteína animal como risco de investimento

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(Foto: Pixabay)

A taxação das emissões de carbono geradas pela produção de animais de criação pode custar a um grupo de 40 empresas líderes no setor de proteína animal até US$ 11,6 bilhões em EBITDA até 2050, um impacto médio de 5% da receita de cada empresa. A estimativa é apresentada no mais recente relatório da FAIRR, uma rede global de investidores que administra mais de US$ 20 trilhões em ativos.

O levantamento aponta que o setor de carne envolve elevado risco para a saúde humana, e que a pandemia de COVID-1 deu um novo impulso a essas discussões. Essas questões tornaram-se preocupações para os formuladores de políticas públicas, o que gera riscos materiais para os investidores.

“Uma análise de causa-raiz da pandemia de COVID-19 provavelmente mostrará a necessidade urgente da indústria de carnes e de peixes de melhorar as práticas de biossegurança e triagem”, prevê Jeremy Coller, fundador da FAIRR e diretor de investimentos da Coller Capital.

Faith Ward, diretora de investimentos responsáveis da Brunel Pension Partnership, concorda com a avaliação de Coller e ressalta que, “na sequência da pandemia, provavelmente haverá uma pressão regulatória crescente sobre a indústria de carnes para evitar futuras pandemias zoonóticas”

O relatório afirma que a legislação progressiva deve vincular as receitas provenientes dos impostos sobre a carne a benefícios sociais específicos, como preços mais baixos de frutas e legumes ou apoio aos agricultores para uma transição ecológica.

Os pesquisadores avaliaram discussões políticas recentes sobre novos impostos sobre a carne, incluindo um estudo encomendado pelo governo holandês sobre “preços justos da carne” e um projeto de lei na Nova Zelândia. Se aprovada, a nova legislação tributará emissões da pecuária dentro do chamado Esquema de Comércio de Emissões, que entra em vigor no país a partir de 2025.

“Existe um consenso crescente de que não podemos alcançar o Acordo Climático de Paris a menos que lidemos com a agricultura industrial – um setor que emite mais gases de efeito estufa do que todos os aviões, trens e carros do mundo juntos”, avalia Coller.

O diretor da True Animal Protein Price Coalition (TAPP), Jeroom Remmers, afirma que houve uma mudança na conversa sobre o preço da carne na Europa nos últimos três anos, em que a maioria dos consumidores apoiam mais impostos sobre a carne, se o preço de vegetais, frutas e legumes for mais barato.

A avaliação vem na esteira de uma sequência de sinalizações negativas para o setor brasileiro. No mês passado, foram duas ameaças diretas de desinvestimento em empresas do país, caso o governo não conseguisse frear o desmatamento. A China anunciou que só importará soja que seja rastreável e não for plantada em áreas desmatadas e indígenas.