Transformações no sistema alimentar dependem de colaboração e inovação

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(Foto: Freepik)

A sustentabilidade deve nortear a colaboração multissetorial entre as empresas do sistema de alimentos e o desenvolvimento de novas soluções, além de revisar as práticas produtivas e a qualidade das dietas e reduzir o desperdício ao longo da cadeia.

Esse é um dos caminhos apontados por executivos e especialistas participantes do quarto Webinar da série de debates ReVisão 2050, do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS).

“A pandemia acelera as urgências e a tecnologia encurta as distâncias entre o campo e a cidade. A rastreabilidade de matérias-primas e modos de produção é uma tendência nesse contexto”, disse Marina Grossi, presidente do CEBDS.

A Gerente de Assistência do Departamento Nacional do SESC, Ana Cristina Corrêa Guedes Barros, destaca a necessidade de mitigar as perdas da produção ao consumo final. Atualmente, quase 37 milhões de toneladas de alimentos são desperdiçados por ano no Brasil, o equivalente a 41 quilos de alimentos jogados por uma pessoa por ano.

Para o Diretor de Sustentabilidade do Carrefour Brasil, Lucio Vicente, durante muito tempo as empresas trabalharam de uma forma individualizada e setorizada. E há um grande desafio de construir uma nova narrativa para a sociedade.

“Pela complexidade dos desafios que o mundo enfrenta hoje, a união setorial é muito importante. Precisamos encontrar formas de contar a ‘história’ dos produtos para o consumidor. Cada vez mais, esse consumidor vai cobrar por informações sobre o que está por trás dos produtos que está comprando”, explicou.

Nesse contexto, a Diretora do Instituto Comida do Amanhã, Juliana Medrado Tangari, apontou que o sistema de alimentação sustentável almejado não será alcançado somente por meio de transformações no processo de produção, mas especialmente mudanças comportamentais do consumidor.

“O que está muito evidente para nós é a importância do foco na adoção de dietas sustentáveis. Afinal, aquilo que comemos também muda o mundo”, disse ela, destacando a diversidade em diferentes etapas do consumo, desde a compra até o preparo do alimento.

Na avaliação dos especialistas, a tecnologia é um caminho viável para melhorar a transparência dos processos. Para Cristiane Lourenço, em 2050, a humanidade vai produzir mais e melhor, impulsionada pela tecnologia e inovação.