Fatores e desafios para alavancar a bioeconomia na Amazônia

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(Foto: Pixabay)

Como alavancar a bioeconomia e a sociobiodiversidade na Amazônia foi o tema central do webinar “Amazônia e Sociobiodiversidade”, promovido pela Green Rio e a Rainforest Business School nesta terça-feira (04).

“Temos um potencial enorme e responsabilidade de proteger os biomas. Para isso, temos que encontrar o equilíbrio entre preservação e geração de renda para as populações”, disse Fernando Schwanke, Secretário de Agricultura Familiar e Cooperativismo do Ministério da Agricultura (Mapa).

Para a bioeconomia crescer na Amazônia, Maritta Koch-Weser, fundadora da Rainforest Business School, assinala quatro elementos:

– Social: a bioeconomia precisa ser gerada a partir da localidade em que o produto nasce e onde o produtor vive. É preciso criar um leque de produtos locais; tomar decisões financeiras; incluir os conhecimentos tradicionais; capacitar os produtores; e a necessidade de investimentos locais para a pequena indústria decentralizada, infraestrutura, energia, internet e inovação em transporte.

– Ciência e Tecnologia: estes fatores são essenciais para transformar potencialidades em produtos concreto que tenham um mercado. É preciso trazer o fortalecimento maciço para instituições científicas da região e a criação de laboratórios criativos.

“Sem um mundo de business, sem ter uma academia especializada para ensinar sobre os produtos, os diretos, os processos, as experiências do passado e as cooperativas que já existem a gente perde muita quilometragem. Temos uma bioeconomia e podemos aprender com a experiência do passado”, explica.

– Governança: a bioeconomia precisa de muita administração informada. É necessário criar uma agência na Amazônia para proteger os direitos individuais e intelectuais, e uma entidade especializada para atuar como promotor socioeconômico da bioeconomia.

A governança também é necessária para a criação de um mercado mais eficiente, mais justo, para uma industrialização bioeconômica, e para proteger a base da bioeconomia: manter a floresta em pé, a integridade dos rios, a proteção das unidades de conservação e das reservas indígenas, da recuperação agroflorestal e do apoio na produção agro-bio.

– Fundos de investimentos: Para tirar esses elementos do papel, são necessários investimentos pesados. “Programas e projetos, que existem a décadas, são pequenos e espalhados, e isso não faz a bioeconomia crescer de uma forma competitiva. Se a floreta em pé deve competir com outras formas econômicas, investimento pesado é necessário”.

Desafios

Fernando Schwanke afirma que ainda há desafios a serem superados para expandir a biodiversidade na região, como a Conectividade, um dos requisitos para levar informações e para produtores estarem mais perto do mercado e dentro dos programas da bioeconomia no mundo pós-pandemia.

O segundo grande desafio é a logística na Amazônia. “Muitos dos produtos não tem viabilidade econômica em função da logística. Falamos de lugares longínquos de 2, 3 mil km de distância e tem um custo para retirar a matéria-prima, para levar até a indústria, para levar até o mercado. É preciso novas formas de fazer a logística”, diz.

Koch-Weser sugere navios movidos a energia solar ou hidrogênio com grande capacidade de armazenamento como uma das soluções para transportar carga na região e melhorar a logística.

O secretário Schwanke contou ainda que a expectativa do governo é criar uma versão da Biofach feita para divulgar e comercializar produtos da sociobiodiversidade apenas de cooperativas brasileiras.

O Mapa também prepara o lançamento de um programa de assistência técnica 5.0, que utiliza novas ferramentas baseadas na conectividade. E um programa piloto para levar informação aos agricultores no Semiárido em parceria com o vencedor do Nobel de Economia de 2019, Michael Kremer.