Fórum Thinking Green debate futuro da agricultura

(Foto: Luciana Almeida)

O uso da tecnologia e de processos robóticos cresce no agronegócio, revelaram especialistas em durante o Fórum Thinking Green, primeiro evento realizado pelo Organics News Brasil sobre o futuro e os desafios da agroecologia, na Bio Brazil Fair | Biofach América Latina, nesta quinta-feira (07).

Para o engenheiro agrônomo e fundador da Associação Brasileira da Agricultura Orgânica, José Pedro Santiago, os agricultores orgânicos não só estão preparados para a era da conectividade, como já estão adotando projetos tecnológicos para expandir a produção.

“Na década de 70, a agricultura orgânica era chamada de agricultura branda, agricultura alternativa e já usava luz solar para secar grãos. Hoje, em Santa Catarina, por exemplo, há uma fazenda em que robôs ordenham vacas, de acordo com a “vontade” delas, e o proprietário aumentou a produção de leite”, conta Santiago.

Atualmente, o agronegócio corresponde a 25% do PIB nacional e o Brasil é líder de produtividade. Entre 1975 e 2015, a produtividade no país cresceu 3,6%.

Para otimizar os processos de produção, os agricultores estão investindo em inovações tecnológicas, como o piloto automático em máquina agrícola; a taxa variada – em que uma máquina com sensores identifica a quantidade necessária de insumos e aplica automaticamente de acordo com o programado –; mapas de produtividade; entre outros.

“Nós estamos migrando para a robótica de uma maneira mais suave do que se imaginava. Nós estamos chegando a robótica a medida em que essas tecnologias estão sendo produzidas. E a máquina vai se tornando cada vez mais em robôs”, explica Rafael Vieira Sousa, professor da USP.

Segundo Sousa, projeções mundiais estimam que, entre 2016 e 2019, o mercado de vendas de robôs de serviço (que executa tarefas úteis para humanos ou processos) vai girar em torno de R$74 milhões. Neste período, deverão ser vendidos 1,4 milhões de robôs, sendo 333 mil robôs de serviço.

Especialistas estimam que, em 2050, 9 bilhões de robôs estarão em operação, número que vai igualar a quantidade de pessoas no planeta.

Perfil do agricultor

Pesquisa feita pela Associação Brasileira de Marketing Rural e Agronegócio (ABMRA) revela que a idade média dos produtores rurais caiu para 46,5 anos em 2017. Em 2013, a média era de 48 anos.

As mulheres correspondem a 31% dos profissionais em cargos de liderança ou gestão. Em 2013, o índice era de 10%. “A mulher no agronegócio ganhou uma expressividade enorme, quanto ao poder de decisão. Ela é importante para a inovação dentro do agronegócio”, explica Jorge Espanha, presidente da ABMRA.

Em relação a educação, 18% dos agricultores têm curso superior, principalmente em agronomia, veterinária e administração.

O estudo também mostrou que o produtor rural está tão conectado quanto os moradores dos centros urbanos. “É uma realidade. Não os subestimem. Eles também estão sendo impactados pelas novas mídias e querem se manter conectados”, ressalta Espanha.

A principal forma de informação para os produtores rurais continua sendo a televisão aberta, vista por 92% dos entrevistados. Seguida pelo rádio (70%), a internet (42%), os jornais (30%), a TV por assinatura (28%) e as revistas (27%).

Na internet, 54% dos produtores procuram informações sobre os dias de campo (54%), feiras e exposições (22%), palestras (16%), congressos e seminários  (2%). Já os pecuaristas, 36% buscam por dias de campo, 19% por leilões e 18% por feiras e eventos.

O Whatsapp é a principal rede social de informação, com preferência por 96% dos entrevistas. 67% se informa pelo Facebook, 24% pelo Youtube, 20% pelo Messenger, 8% pelo Instagram, e 5% pelo Skype.

*Um dado interessante é que os produtores não usam o whatsapp para negócios. Eles não gostam, preferem usar a rede para se informar e manter o relacionamento com amigos e família”, explicou Jorge.