Três fatores para impulsionar o seu negócio

(Foto: Tamires Nunes/ Organics News Brasil)

Quem quer empreender no Brasil sabe que não é fácil, independente do setor. Muitas vezes para tirar uma ideia do papel e vê-la prosperar é preciso entender muito bem o seu negócio, o público-alvo, ter um plano de negócio estruturado para receber financiamento.

Ao perceber que era necessário melhorar a comunicação no agronegócio, o estatístico Guilherme Ferraudo e mais quatro amigos fundaram o YouAgro, primeira rede social focada no agronegócio, com o objetivo de aumentar a colaboração no setor.

Fundada no final de 2017, a startup hoje conta com mais de 8 mil usuários, mais de 9.800 downloads e por mês, mais de 450 novos usuários mensais.

“É uma rede profissional. A gente viu que as pessoas queriam estar com a referência perto, seja um professor, um consultor, um produtor, uma associação ou uma empresa. Nós trabalhamos com conteúdos relevantes, as pessoas entram para se informar e resolver o problema do dia a dia. O que nós queremos é aumentar a colaboração entre os atores do agro”, explica.

Durante o Fórum Thinking Green, Ferraudo apontou três fatores que podem fazer o seu negócio dar certo.

1. Ser resiliente: O empreendedor precisa ter resiliência e saber a hora de ouvir, se adaptar e mudar de direção, se necessário.

“O começo é bem incerto. Eu sou estatístico, trabalhei em multinacionais e era muito técnico, muito acadêmico. Quem quer empreender é uma palavra só: Comportamento. Não é quem tem uma informação melhor ou que fala duas ou três línguas, o diferencial é apanhar, levantar, bater, saber ouvir. O teu negócio não está pronto em um momento e é preciso saber ouvir e mudar a direção. O YouAgro é uma plataforma de comunicação e relacionamento. Quando começamos o projeto era uma plataforma focada apenas em aquisição de usuários e agora, além de ter fazermos isso, também passamos a gerar receita. Passamos do Business to Consumer (B2C) para o Business to Business (B2B)”, disse.

2. Ter a tecnologia como aliada: O empreendedor afirma que ainda há muito espaço e oportunidade para quem quer ter uma empresa voltada para o agronegócio, principalmente, se for uma solução tecnológica.

“Historicamente, tem alguns muros que foram levantados. Mas a tecnologia e a digitalização estão fazendo a gente repensar o que é o dinheiro, o trabalho e qual o papel do ser humano. Fez a gente ter uma mente e um coração aberto para entender o que é o certo para a nossa vida. Se a tecnologia não melhorar a nossa vida, ela não serve pra nada. O agro é muito amplo, tem muitas caras e nenhuma é melhor do que a outra, tudo tem o seu lugar e o seu papel”.

3. Comunicação: O compartilhamento de informações pode melhorar o sistema produtivo. Ferraudo explica que isso pode ajudar o produtor a ter práticas agrícolas mais sustentáveis, como reduzir a pulverização e melhorar a adubação, e a ter uma relação mais próxima com o consumidor.

“A gente viu que poderia aumentar a colaboração entre os atores do agro e a comunicação deveria que ser muito mais clara, transparente e efetiva. Nós, que trabalhamos com comunicação e marketing, precisamos nos reinventar. Antigamente, as pessoas encontravam os anúncios e, hoje, elas fazem o anúncio e estão construindo uma marca. O jogo mudou. A rede social permite você ser ativo”.

Guilherme ainda ressaltou que um dos obstáculos para tornar o agronegócio mais colaborativo é incluir os atores do setor no mundo digital. “Há uma necessidade de inclusão digital. A gente fala muito de transformação para a agricultura 4.0, mas na verdade, temos que dar um passo antes e incluir o agricultor, as empresas digitalmente. Isso não é simples e tem um timing para ser respeitado”, concluiu.