Democratizar o acesso aos alimentos orgânicos é essencial

Da esquerda para direita: Neka Mena Barreto, Bela Gil, Maluh Barciotte, Rita de Cassia Goltz e Arpad Spalding (Foto: Tamires Nunes)

Valorizar o pequeno produtor e expandir a escala de produção são algumas das soluções apontadas no painel “Orgânico para Todos”, na Bio Brazil Fair | Biofach América Latina, para democratizar o acesso a produtos orgânicos no Brasil.

“Eu acredito que todo mundo deve ter o direito de se alimentar bem, ter uma alimentação saudável e, falar sobre a democratização da alimentação orgânica é de suma importância, não pode ser uma coisa apenas para pessoas economicamente ou socialmente privilegiadas. Todos precisam desse acesso, mas para isso ser colocado em prático é preciso uma aliança entre consumidores, produtores e políticas públicas”, disse a apresentadora e chef de cozinha natural Bela Gil.

O agricultor orgânico Arpad Spalding concordou com a apresentadora e ressaltou a criação do Programa Nacional de Alimentação Escolar. Atualmente, as escolas da rede municipal de São Paulo já contam com 41% de alimentos orgânicos nas refeições oferecidas aos alunos.

“Democratizar o acesso aos produtos orgânicos traz ganhos na escala de produção e com isso o valor diminui, fazendo com que a gente possa diminuir nosso valor para a prefeitura e assim conseguimos espaço para entrar na periferia e oferecer alternativas para quem, atualmente, não consegue pagar R$ 2 em um pé de alface”, disse. “Estamos construindo um sistema de orgânicos que irá viabilizar a queda do preço desses alimentos”.

O agricultor também ressaltou a importância de ajudar pequenos produtores e da agricultura familiar. “Quem ajudou a consolidar a produção orgânica foram os pequenos produtores e agora, as grandes redes estão buscando formas para atender a demanda. Isso é muito bom, mas não podemos esquecer dos pequenos!”.

A Coordenadora da Rede Ecovida e produtora orgânica do Município de Castro (PR), Rita de Cássia Goltz, contou a experiência de agricultores familiares, que já são responsáveis por 72% da merenda orgânica no município.

“Na agricultura familiar, a família deve estar engajada. Antes, as famílias produziam, mas não consumiam o próprio alimento. Então trabalhamos para que os produtores produzissem primeiro para si e depois vendessem o excesso. O cooperativismo não funciona se todos não estiverem juntos e não pensarem que todos devem crescer juntos”, disse Goltz.

Hoje, a Ecovida conta com 27 núcleos regionais, abrangendo cerca de 352 municípios, 340 grupos de agricultores e 20 ONGs.

Spalding ainda ressaltou que, apesar dos desafios, é possível a produção orgânica alimentar o mundo. “Dá para alimentar o mundo? Lógico que dá! Temos muitas histórias de agricultores que estão produzindo mais e melhor desde que fizeram a conversão, mas ainda é preciso democratizar a produção”.

“Precisamos trocar o supermercado pela feira, consumir mais orgânicos, ter hábitos mais conscientes. Em termos políticos, não podemos esquecer do campo e de quem produz a nossa comida. Sem o campo, não temos uma alimentação saudável”, concluiu Gil.