Alimentos orgânicos contribuem para a segurança alimentar

Rogério Dias

Como os alimentos orgânicos podem contribuir para a segurança alimentar e a geopolítica de alimentos no Brasil foi debatido no painel “A nova geopolítica da produção de alimentos e os efeitos para a produção e o varejo no Brasil e no mundo” na Bio Brazil Fair | Biofach América Latina virtual.

Para Rogério Dias, presidente do Instituto Brasil Orgânico (IBO), há um descompasso entre a visão de que a sociedade está buscando alimentos de qualidade e a falta de cuidado com a agricultura familiar, responsável por praticamente 70% dos alimentos que chegam à mesa do brasileiro.

O processo de migração da fronteira agrícola para áreas mais distantes e a expansão das áreas urbanas tornam mais difíceis a produção de alimentos pela agricultura familiar e a criação de circuitos curtos.

“Se eu quero ter produtos de qualidade e reduzir o desperdício, temos que trabalhar para reduzir estas perdas. Uma coisa fundamental é diminuir as distâncias e a passagem dos produtos de um lugar para o outro. Cada vez que aumenta o tempo do produto no circuito, está diminuindo o tempo dele na prateleira do mercado e na casa de quem vai consumir”, explicou Dias.

Segundo dados da FAO, cerca de um terço dos alimentos produzidos são desperdiçados. Ao mesmo tempo, em que 1 bilhão de pessoas passam fome no mundo.

O presidente do IBO aponta que para a geopolítica ser inteligente para a alimentação, tem que se pensar na espacialização, na segurança alimentar e na soberania alimentar, quando a população tem o poder e o direito de definir o que quer comer.

Melhorar a qualidade de vida no campo, manter a população jovem na área rural, criar políticas públicas e incentivos para os agricultores são desafios que precisam ser superados, de acordo com Dias. A atuação da sociedade como um todo também é imprescindível para mudar a cadeia de produção.

“Se nós perdermos os agricultores, nós perderemos a possibilidade de termos um futuro diferente e vamos cair no reducionismo de espécies disponíveis, que vão estar reduzidas as commodities”.

As técnicas desenvolvidas para agricultura orgânica e agroecológica, como os pós de rocha, garantem um solo fértil e independência dos produtores a produtos químicos importados. A produção própria de bioinsumos e a criação de biofábricas são uma oportunidade de negócio, principalmente, para jovens recém-formados nas universidades.

“Para fazer esta transformação, nós temos que trabalhar juntos a questão da saúde, da educação, da população da cidade entender a importância do seu voto. A gente precisa que haja um esforço coletivo”

“Falar de sistema agroalimentar não pode ser uma preocupação do Ministério da Agricultura ou uma preocupação só do setor da agricultura porque está se falando em produção de alimentos. Nós estamos falando de saúde, de educação, de ciência e tecnologia. Nós estamos falando de todas as áreas, porque tudo isso tem que trabalhar junto, se quisermos ser diferenciados”