Combater a desigualdade social deve ser prioridade no pós-pandemia

especialistas falam sobre desigualdade social na pandemia de Covid-19
(Foto: Reprodução Youtube)

A pandemia de Covid-19 transformou a ordem econômica, social e política do mundo, ao mesmo tempo, em que escancarou a desigualdade social. Os desafios do “novo mundo” foram abordados na abertura da Conferência Ethos 2020, que acontece pela primeira vez em um ambiente virtual.

Para Caio Magri, presidente do Instituto Ethos, mais do que nunca, organizações e empresas podem transformar a nossa realidade e o papel de qualquer empresa hoje é adotar a sustentabilidade.

“As pessoas que trabalham hoje nas empresas buscam construir uma sociedade mais justa e sustentável porque esse é o papel das nossas organizações, de qualquer organização que hoje existe, a perspectiva da sustentabilidade”, disse.

Magri ressalta que a sustentabilidade é o caminho para o Brasil superar a tríplice crise em que vive: econômica, sanitária (Covid-19) e a crise política. Rosana Pinheiro Machado, antropóloga e professora, lembra que das grandes crises vêm grandes oportunidades para se reinventar e imaginar um mundo novo.

A antropóloga aponta que a Covid-19 evidenciou e aprofundou a grande desigualdade que o mundo vive e o senso de poder das elites, que não conseguem abrir mão do seu privilégio mesmo em um momento de pandemia.

“Hoje, existe algum consenso mundial. Um em que a prioridade deve ser o combate a desigualdade. Outro que precisamos de um mundo mais sustentável, com novas formas de energia, que a gente precisa de mais estado e mais mecanismos de proteção social. O que nos dá um certo otimismo. Mas ao mesmo tempo, temos um cenário político que não é muito otimista”, analisou.

A antropóloga afirma que o mundo passa por uma nova revolução sobre as formas de existência, em que está pensando desde as coisas mais básicas, como o que veste e como se locomove até como será o consumo de arte.

Entretanto a transição para um novo mundo pós-Covid aprofundará as desigualdades. “Quem vai passar por essa revolução é uma parte da população: as pessoas que estão em quarentena hoje. Porque a outra parte vai continuar vivendo em condições precárias sem transformação”, disse. “Se a gente quer um mundo mais democrático, precisamos combater a desigualdade. Não há outra saída”.

O Professor da FGV-Direito, Thiago Amparo, ressalta que o setor privado tem um papel essencial para combater a desigualdade, ao avançar na responsabilidade socioambiental e econômica.

“Temos no futuro pós-pandemia uma discussão sobre o papel do setor privado e um papel mais amplo sobre pra que serve a economia. Em que a economia deve servir para as pessoas e de fato ter um valor humano e não apenas o lucro. O papel das empresas e todas estas discussões estão relacionadas ao novo papel que tem sido puxado pela pauta ambiental e climática”, avaliou.

Outro aspecto da pandemia é o aprofundamento do olhar para as diversidades tanto pelas empresas, quanto pelo setor público, e sobre o impacto desproporcional da pandemia. A população negra é uma das mais afetadas. Hoje, 66% das pessoas desocupadas ou subutilizadas são pessoas negras e 47% estão na categoria de informais, de acordo com o IBGE.

Assista a abertura e aos outros debates da Conferência Ethos 2020 abaixo. Para saber mais sobre a programação do evento, clique aqui.