Conferência Ethos abordará mudança climática e racismo ambiental

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O terceiro dia da Conferência Ethos, que acontece na próxima quinta-feira, dia 16 de julho, irá dialogar sobre a agenda ambiental, no que se refere a mudança climática, observando o racismo nesse contexto.

Na atividade de abertura do dia, às 15 horas, teremos a ativista ambiental, Vanessa Nakate, participando diretamente de Uganda, do diálogo “Conversa com Vanessa Nakate – mudanças climáticas e o futuro da África”, com a participação de Paloma Costa, jovem ativista climática de Brasília que coordena o Grupo de Trabalho de Clima do Engajamundo e trabalha como assessora jurídica no Instituto Socioambiental (ISA) em questões que tratam de direitos socioambientais, incluindo indígenas, uso da terra e economia dos povos da floresta. Paloma integra o Youth Climate Advisory Group (#Super30), que ajudou a construir a agenda da Cúpula do Clima para a Juventude e participou, ao lado do Secretário-Geral da ONU, Antonio Guterres, e da ativista Greta Thunberg, da abertura da Cúpula de Ação Climática em 2019. O objetivo dessa conversa será observar a luta de Nakate para chamar a atenção da comunidade global para os efeitos da mudança climática e do desmatamento e sua pressão sobre a vida selvagem e das comunidades, nos continentes e nos países africanos.

Um assunto que converge com a live que acontecerá no mesmo dia, às 18h20: “Mudanças climáticas e a questão racial”. A discussão irá refletir sobre as correlações e contribuições entre o movimento climático e o movimento antirracista. O diálogo abordará como a violência estrutural forma um dos aspectos da crise climática e como a crise climática dá consistência às desigualdades e vulnerabilidade de comunidades, que, apesar de menos contribuírem para o aquecimento global e mudanças do clima, tornam-se as mais vulneráveis, como a própria pandemia e outros desastres têm demonstrado. O painel também destacará conceitos importantes como apartheid climático, gentrificação climática e refugiados climáticos.

Participará dessa conversa, Elizabeth Yeampierre, advogada porto-riquenha reconhecida nacionalmente e líder em justiça ambiental de ascendência africana e indígena. Diretora executiva da UPROSE, a organização comunitária latina mais antiga do Brooklyn, e membro do Conselho Consultivo Nacional de Ciências da Saúde Ambiental, foi oradora de abertura no primeiro Fórum da Casa Branca sobre Justiça Ambiental da Administração Obama, com trabalho destacado em livros e meios de comunicação nos Estados Unidos, América Latina e Europa. Também integrará a conversa, Melania Canales Silvestre Poma, presidenta da Organização Nacional das Mulheres Indígenas e Amazônicas do Peru (ONAMIAP), que já representou internacionalmente as mulheres indígenas em reuniões da Conferência das Nações Unidas sobre o Clima.

Sobre o Racismo Ambiental

De acordo com o artigo de autoria da ativista Stephanie Ribeiro, publicado no Portal Geledés, “a lógica de poder na escolha de áreas que serão exploradas e como essas áreas serão exploradas, danificando a vida e saúde de povos marcados por sua identidade racial, como negros, indígenas, latinos e asiáticos” atendem ao conceito de racismo ambiental, desenvolvido pelo Dr. Benjamin Franklin Chavis Jr., líder negro pelos direitos civis, que foi assistente de Martin Luther King Jr.

Benjamin conceituou sobre o tema em 1981, a partir de investigações e pesquisas que realizou a respeito da relação de resíduos tóxicos e a população negra norte-americana. Hoje, o conceito e suas aplicações são mais diversas, inclusive no que diz respeito à identidade racial das vítimas.

A ativista Vanessa Nakate disse que: “curiosamente só os maiores emissores de gases do nosso país (Uganda) serão ricos o suficiente para sobreviver à crise alimentar, enquanto a maioria das pessoas que vivem em povos e comunidades rurais enfrentarão problemas para obter alimentos devido aos altos preços e ao desabastecimento”, em entrevista após o episódio que foi excluída de uma foto com Greta Thunberg, pela agência de notícias Associated Press, no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça.

Um fato que reforça outro ponto abordado quanto ao racismo ambiental: a ausência de negros ou outras identidades raciais – que não a branca, masculina e burguesa – em grupos de discussão de ambientalistas, nos comitês, nas comissões, nos espaços de disputa de discussão da temática ambiental.

A Conferência Ethos acontece todas as quintas-feiras, a partir das 15 horas no canal do Ethos no YouTube. Inscreva-se no canal e ative as notificações para não perder nada!

Saiba mais sobre a Conferência Ethos: conferenciaethos.org