Empresas e sociedade devem discutir o PL dos agrotóxicos e segurança alimentar

Da esqueda para direita: Caio Magri, do Instituto Ethos; Marcelo B. Morandi, Embrapa; Fabio Ramos, Organis; e Eduardo Trevisan, IMAFLORA (Foto: Vera Moreira)

A Conferência Ethos teve muita discussão em torno da sustentabilidade, do meio ambiente, em depoimentos de boas práticas de empresas.

Um painel sobre o PL dos Agrotóxicos reuniu o presidente do Instituto Ethos, a Embrapa, o Imaflora e o Conselho Brasileiro da Produção Orgânica e Sustentável (Organis). A reflexão central foi a segurança alimentar.

Sem defender ou demonizar o PL 6299, Marcelo Boechat Morandi, da Embrapa Meio Ambiente, ressaltou que o Brasil tem o desafio de aumentar a produtividade, com os modelos agrícolas que coexistem com um novo modelo de sustentabilidade. “Precisamos sair do discurso ser à favor ou contra porque isso não resolve os problemas reais. Agrotóxicos, defensivos ou substâncias químicas são ferramentas dentro do sistema. É importante ter rigor no uso e no conhecimento de uso dentro de cada sistema de produção. È preciso harmonizar o modelo de registro com os Estados Unidos, União Europeia, Canadá e Japão, que são extremamente rigorosos”.

O gerente de projetos do Imaflora, Eduardo Trevisan, complementou com a preocupação de definir uma política de proteção ao aplicador e o conhecimento técnico de uso em determinada cultura. “Não adiante dar acesso ao agrotóxico porque o pequeno produtor usa defensivos sem conhecimento, armazena em locais impróprios e às vezes sem nenhuma roupa de proteção. Precisamos incentivar o uso de controle biológico, biofertilizantes e entender o que mais de 300 startups do setor agro estão propondo para diminuir o custo com agrotóxicos, quais as moléculas que podem diminuir a toxidade oferecer a rastreabilidade para segurança alimentar”.

O agrônomo Fábio Ramos, conselheiro do Organis e diretor da Agrosuisse, destacou que o Conselho quer provocar a sociedade a participar do debate sobre o PL do Agrotóxico, do modelo de rastreabilidade aprovada há seis meses: ”Nos orgânicos temos a rastreabilidade da semente até o consumidor. O selo Sisorg garante que o produto é fiscalizado (e isso é bem rigoroso), o uso de biofertilizantes garante saúde do solo ao produto final. O Conselho não enxerga o PL como legítimo, combate vários pontos e defende que a sociedade discuta o assunto, não nas audiências públicas, mas nos lares, pela academia e junto com entidades para formatar uma política de uso do agrotóxico aceitável. Precisamos explicar e incentivar o trabalho com processos agroflorestais na convivência da diversidade”.

O presidente do Instituto Ethos, Caio Magri, encerrou o painel com uma provocação: discutir o PL do Agrotóxico engajando as empresas e sua cadeia de fornecedores com as entidades que podem esclarecer o que está em jogo na segurança alimentar.