Empresas investem na capacitação e no trabalho de produtores rurais

(Foto: Clóvis Fabiano/ Ethos)

A responsabilidade social de empresas com produtores rurais é fundamental para ter uma produção mais sustentável e produtos com mais qualidade. A conclusão é de executivos da Nestlé Brasil, da Ambev, da Philip Morris e do Carrefour Brasil, que abordaram a relação entre empresas e produtores durante a Conferência Ethos 360º.

“As pessoas não só se importam com o que vão comer e beber. Mas agora, elas querem saber da onde veio, se houve responsabilidade social com os produtores e com o meio ambiente”, disse Taissara Martins, Gerente de Desenvolvimento de Qualidade e Fornecedores da Nestlé.

Para produzir leite orgânico no Brasil, a Nestlé fez um contrato de longo prazo com os produtores. O acordo é uma garantia de que eles terão para quem vender o seu produto final, já que a conversão para o sistema orgânico é um processo caro.

Segundo Taissara, a Nestlé paga para o produtor o valor do leite orgânico, mesmo com o processo de conversão ainda não finalizado. “O orgânico tem um custo mais alto e o que a gente precisa entender é que os produtores envolvidos na cadeia também têm esse custo. Para o produtor converter [a pastagem] em orgânico, é necessário um ano e meio”, explicou.

O Chefe de Sustentabilidade do Carrefour Brasil, Lucio Vicente, concorda com Martins e ressaltou que o preço ainda é alto pela falta de escala dos alimentos saudáveis. 

“Produzir é caro porque ainda não tem escala na geração de outros produtos. Esse desafio atinge desde a homologação de produtores até os supermercadistas. Ter preços acessíveis é importante para desmistificar e dar escala, fomentar para o alimento chegar a gôndola e as casas”, disse. 

Vicente ressalta que o Carrefour, por um ser um grande varejista, tem a obrigação de ter um contato direto com o consumidor. “É um desafio extra. Como varejista, a gente tem responsabilidade de mostrar toda a cadeia de valor e o aspecto de adesão do que a gente faz desde o campo até a mesa, e também de estimular a alimentação saudável”.

O segundo fator importante apontado é a capacitação dos trabalhadores rurais. No Mato Grosso, o Carrefour investe 3 milhões de euros para profissionalizar cerca de 450 produtores em manejo da terra e da produção.

A Ambev destina 100% do lucro da venda das águas AMA às comunidades e ao empreendedorismo nos locais em que atua. A companhia também investe na capacitação técnica de 1.500 produtores que fornecem insumos e em tecnologia para acelerar o recebimento de informações no campo.

“O business tem que ser lucrativo. O produtor tem que produzir uma boa cevada, ter uma produtividade maior e gerar uma boa renda por isso”, defendeu Edivan Panisson, Diretor de Suprimentos da Ambev.

A capacitação dos trabalhadores integra o compromisso da Ambev de ser mais sustentável até 2025. As metas incluem: ter 100% da energia usada vinda de fontes renováveis, reduzir a emissão de carbono em 25%, ter a maioria das embalagens produzidas com matéria-prima que seja reutilizável e desenvolver projetos para recuperar água.