Pagamento por serviços ambientais pode combater o desmatamento

Na foto, o diretor executivo do Centro Brasil no Clima, Alfredo Sirkis (Foto: Mauricio Burim/ Ethos)

O aumento do desmatamento e as soluções para combatê-lo foram tema do painel “O que será preciso para o Brasil combater o desmatamento ilegal até 2030?”, promovido pela Natura durante a Conferência Ethos 360º.

Para o diretor executivo do Centro Brasil no Clima, Alfredo Sirkis, o desmate deve passar de 10 mil km² em 2019, sendo que 95% será ilegal.

“Em 2004, tivemos uma enorme conquista com o desenvolvimento de políticas públicas. Nós passamos de 27 mil km² de desmatamento (em 2004), para 4.500 km² em 2012. O ano eleitoral de 2018, com todo seu incitamento ao desmatamento, já levou a um aumento desse número. Corremos o risco de ultrapassar 10 mil quilômetros quadrados de desmatamento esse ano”, disse. 

Com o índice, o Brasil não cumprirá a meta do Acordo de Copenhague, que prevê a redução de 80% do desmatamento ilegal na Amazônia até 2020. O que significa que o desmatamento não deveria passar de 3.800 km². Se a tendência de crescimento continuar, as metas do Acordo de Paris também não serão cumpridas.

“Nos últimos anos foram aprimoradas as ferramentas de combate e o Brasil já mostrou que é possível reduzir o desmatamento. Mas agora estamos radicalmente atrás. Não estamos mais no trajeto para atingir as metas, estamos em uma trajetória de desastre absoluto”, alerta.

A floresta tem sofrido com garimpos e a especulação imobiliária rural, o que Sirkis chama de “banditismo”, quando uma área florestal é derrubada e/ou queimada e um boi é colocado para pastar como uma forma de marcar território.

Atualmente, há uma vaca por hectare ou mata transformada em pasto do tamanho de um campo de futebol na Floresta Amazônica, constatou um estudo do MapBiomas, um projeto colaborativo de universidades, empresas de tecnologia e ONGs para mapear e monitorar a cobertura e o uso da terra no Brasil.

Segundo o Coordenador de Projetos Especiais da Fundação Amazonas Sustentável, Victor Salviati, a Amazônia tem uma bagunça fundiária. Cerca de 50 milhões de hectares não tem um destino e só estão protegidos porque o acesso ainda é difícil e o custo é alto.

Soluções

Então o que será preciso para o Brasil combater o desmatamento ilegal até 2030? Para os especialistas, é necessário criar mecanismos de pagamento por serviços ambientais das comunidades da região, reconhecer o valor econômico do carbono e da importância da Floresta neste mercado. 

Com a valorização do trabalho de comunidades locais e do que elas têm a oferecer, a população vai querer preservar a floresta e ir contra o desmatamento, conclui Sirkis. 

Para o coordenador do Programa Amazônia do INPE, Cláudio Almeida, também “é preciso incentivar o uso das áreas que já estão desmatadas e controlar as áreas que não estão” através da fiscalização e do monitoramento, peças-chave para o funcionamento do sistema.

O coordenador também defendeu os dados publicados pelo Instituto a partir do sistema Deter, criticado pelo governo nos últimos meses. “Hoje temos apenas 19,7% da floresta original da Amazônia Legal. Esses dados estão explícitos e podem ser acessados na internet. É impossível manipular esses dados porque todo o trabalho é público na página do INPE”.