Primeiro dia do Salão Elétrico debate cidades inteligentes e desafios para eletrificação

(Foto: VE Latino Americano)

O primeiro dia do VE Latino-Americano reuniu autoridades e especialistas em mobilidade urbana para debater os principais desafios e encontrar soluções para as cidades brasileiras se tornarem inteligentes e mais sustentáveis.

O professor e pesquisador da PUC-SP e UNINOVE, Diego Conti; Caio Castro, sócio do ICities e líder no Smart City Expo World Congress Brasil; e Tamar Roitman, pesquisadora na FGV (Fundação Getúlio Vargas) discutiram sobre o que são cidades inteligentes e como alcançá-las.

De acordo com Conti,  algumas cidades já apresentam boas práticas sustentáveis e alguns prefeitos já discutem a expansão de ciclovias, para tornar as viagens dos cidadãos mais sustentáveis, enquanto outros debatem as políticas de calçadas, já que, em termos de mobilidade urbana, a maior parte dos cidadãos realiza seu deslocamento a pé.

Para Caio Castro, o Brasil tem tecnologia em abundância, mas precisa aprender a utilizá-la e se preparar para um novo mindset de mudanças, a fim de atingir a qualidade de vida desejada. 

O especialista ainda afirma que não teremos uma troca de veículos a combustão por elétricos, mas sim uma revolução urbana com as cidades inteligentes, integrando tecnologias como inteligência artificial e internet das coisas, entre outras.

Brasil versus China

Em painel no Congresso da Mobilidade e Veículos Elétricos (C-Move), os associate partners da Mckinsey, Bernardo Ferreira e Felipe Fava, apresentaram cenários e perspectivas para o ecossistema da mobilidade elétrica no Brasil, em comparação com outras regiões de desenvolvimento elétrico, como a China.

Devido aos subsídios do governo, a China é o país com maior número de postos de recarga, viabilizando modelos 100% eletrificados. Já o Brasil, por conta da sua infraestrutura em desenvolvimento, deve atingir, por exemplo, o patamar de 1% de caminhões elétricos somente em 2030. Vinte anos depois, em 2050, a perspectiva é que este número suba para 11%.

Outro desafio apontado pelos especialistas para o mercado de veículos comerciais pesados é o custo dos caminhões. Por ter uma bateria mais pesada, percorrer distâncias maiores e o valor do combustível ser um importante fator, a diferença no valor dos caminhões elétricos para os movidos a diesel deve criar uma barreira para a adesão aos elétricos. Há também a barreira da infraestrutura de postos de recarga em um território tão grande.