São Paulo terá ônibus 100% elétrico nas ruas até o fim do mês

Secretário Municipal de Mobilidade e Transportes de São Paulo, Edson Caram (Foto: VE Latino Americano)

O Secretário Municipal de Mobilidade e Transportes de São Paulo, Edson Caram, anunciou a inclusão de 15 ônibus totalmente elétricos no transporte público da cidade até o fim do mês.

O anúncio aconteceu durante o São do Veículo Elétrico, que acontece até amanhã em São Paulo. A cerimônia também contou com a presença dos vereadores municipais Gilberto Natalini e Pólice Neto. 

Fabricados pela chinesa BYD, os ônibus serão operados pela Transwolff, empresa que atua na zona sul da cidade, e serão recarregados com eletricidade vinda de uma fazenda de energia solar. 

Segundo Caram, os novos veículos fazem parte da iniciativa da prefeitura de cumprir a Lei de Mudança do Clima, de 2009, que previa o fim gradativo dos combustíveis fósseis no transporte público municipal até 2018. 

Agora, a prefeitura espera reduzir em 24,8% as emissões de material particulado; 20,5% as emissões de óxido de nitrogênio e 13,6% as emissões de dióxido de carbono em 2020. Em 2030, a redução deverá ser de 91,3% em material particulado, 90,7% nas emissões de óxido de nitrogênio e 60,3% nas emissões de dióxido de carbono. E a diminuição de 100% de materiais particulados até 2037.

“A Lei do Clima [de SP] engloba 50 ativos, inclusive a mudança do padrão do combustível da cidade, mas infelizmente a cidade não consegue cumprir a lei. Ela existe e São Paulo não consegue cumprir, não só nas questões dos veículos, mas em várias outras questões”, criticou o Natalini.

Para o vereador, é preciso tirar as políticas públicas do papel com urgência, mas os governos municipais não sabem lidar com questões de sustentabilidade, principalmente, do ponto de vista econômico. 

“Falta criatividade para criar uma equação viável para avançar na sustentabilidade porque alegam que não há dinheiro ou orçamento para desenvolver projetos. Mas o Brasil tem potencial”, disse Natalini ao ONB. 

“Em São Paulo, houve um afrouxamento do poder público, que com a nossa [dos vereadores] ajuda aprovou uma lei muito avançada de mudanças climáticas em 2014 e até hoje, a lei saiu muito pouco do papel. Isso mostra o descompromisso dos governantes na construção de uma cidade mais sustentável”, complementou.

O vereador Gilberto Natalini disse que deve entregar, em breve, uma carta preparada pela Coalizão do Clima em que pedem ao prefeito de São Paulo, Bruno Covas, que decrete emergência climática na cidade. 

Para ele, São Paulo tem potencial para dar exemplos para o mundo. “Se a cidade de São Paulo decretar emergência climática, muitas políticas públicas que estão ‘patinando’ (sic) terão que ser colocadas em velocidade para a cidade cumprir. Eu acredito que outras cidades [brasileiras] vão seguir o exemplo”.