Veículo elétrico Latino-americano: O futuro da mobilidade

(Foto: Tamires Nunes)

Representantes das principais montadoras da indústria automotiva se reuniram, nesta segunda-feira (17), para debater as soluções para a mobilidade elétrica, durante o congresso da 14ª Plataforma Latino-americana de Veículos Híbridos-Elétricos, Componentes e Novas Tecnologias.

“É muito importante que o Brasil assuma o desenvolvimento do carro elétrico na América Latina. Nós somos um mercado consumidor ávido por tecnologia”, afirma Ricardo  Guggisberg, presidente-executivo da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE).

Segundo o diretor-geral de programa de produtos da GM, Dalício Guiger, cerca de 96% dos consumidores latino-americanos dirigem menos de 75 km/dia e por dirigirem pouco o veículo elétrico “se adequa perfeitamente as necessidades dos brasileiros”.

Entretanto, as baterias, a carga tributária e a falta de infraestrutura são os principais obstáculos para a expansão dos elétricos no país.

“Hoje, a carga tributária de um híbrido-elétrico é 30%, ainda é muito alta. Por isso é difícil criar veículos acessíveis. Não vamos desistir, é importante continuar. Acho que o governo vai se mobilizar mais quando tiver uma alta demanda da sociedade”, afirma Ricardo Bastos, diretor de relações governamentais da Toyota.

Recentemente, o governo reduziu o IPI de modelos elétricos e híbridos, que passará a ser cobrado de acordo com o peso e a eficiência energética a partir de novembro. De acordo com a nova regra, o IPI ficará entre 7% e 20% para híbridos e os totalmente elétricos passarão a recolher entre 7% e 18%.

Apesar da medida provisória ter a proposta de incentivar a indústria, no caso de modelos híbridos, os valores em que serão vendidos vão baixar muito pouco e, em alguns casos, pode até subir.

Também está em tramitação o Rota 2030, novo programa de incentivo fiscal à indústria automotiva. O projeto ainda é visto com desconfiança pelas montadoras, que esperam novas mudanças na medida provisória.

“A indústria automotiva vai ser elétrica, autônoma e cada vez mais compartilhada. O que nós precisamos discutir é quando isso vai avançar. Em países, como a Noruega, o mercado de elétricos já alcança 30%”, afirma Adalberto Maluf, diretor de marketing, sustentabilidade e novos negócios da BYD.

“O Brasil não pode fechar os olhos. Precisamos parar de postergar o avanço do setor. O Rota 2030 não criou nada ainda. Se a gente não criar esse mercado, não vamos ter inovação”, complementa.

As montadoras estão otimistas de que esse cenário irá mudar em breve, principalmente, com o avanço de pesquisas e a descoberta de novas formas de baterias eficientes para os carros.

“Nós estamos falando do futuro da indústria, das montadoras, o que realmente vai se tornar uma realidade. Toda vez que temos uma ruptura, temos esse tipo de debate. Nós acreditamos no veículo elétrico e no ganho de escala, nós vemos uma imensa oportunidade para o fim da vida da bateria, é um caminho que vai se abrir, muitas tecnologias virão. No momento, é a gente superar essa fase inicial e ganhar volume e escala de produção”, afirma Guiger.

Para Adalberto Maluf, a mobilidade smart e elétrica é um caminho sem volta. “Queremos mostrar que já é possível ter uma emissão zero e reduzir as emissões de poluentes. O carro elétrico vai fazer esse papel muito importante no futuro, vai ser uma integração entre carro, celular e casa, é um processo sem volta”, disse.