Indígenas do Xingu são pioneiros na certificação de mel orgânico

Etnias indígenas com desenvolvimento de agroecologia começam a se tornar fornecedoras de alimentos orgânicos. A Associação Terra Indígena Xingu é pioneira como certificadora da produção orgânica, inaugurando o Sistema Participativo de Garantia exclusivamente indígena.

Inédita no mundo, a parceria da Funai com a Coordenação Regional do Xingu, da Agência Alemã de Cooperação Internacional e do Instituto Socioambiental trabalham no projeto do mel há cerca de 20 anos. Os apicultores associados da Atix comercializam uma tonelada de mel orgânico por ano, mas há demanda para  12 toneladas/ano.

(Foto: Mário Vilela/Funai)
(Foto: Mário Vilela/Funai)

Com 2,6 milhões de hectares, a Terra Indígena Parque do Xingu fica no  Mato Grosso e abriga cerca de sete mil indígenas de 16 povos distintos: Aweti, Ikpeng, Kaiabi, Kalapalo, Kamaiurá, Kĩsêdjê (Suyá), Kuikuro, Matipu, Mehinako, Nahukuá, Naruvotu, Wauja, Tapayuna, Trumai, Yudjá, Yawalapiti.

Por enquanto, 70 apicultores de 39 aldeias das etnias kaiabi, Yujá, Kĩsêdjê e Ikpeng participam da produção de mel com certificação orgânica.

O coordenador de Agroecologia do Ministério da Agricultura, Rogério Dias, ressalta que a venda de orgânicos está crescendo em quantidade e diversificação em todo o país. Ele acredita que o selo dado a um grupo indígena desmistifica o processo de certificação dos produtos.

De acordo com a Funai, o povo Sateré Mawé, do Amazonas, também já busca o certificado do Guaraná.