MundoGEO apresenta drones e geotecnologia em São Paulo

(Foto: Pixabay)

Reconhecimento facial, georreferenciamento, pulverização e coleta de imagens são apenas algumas das formas que diversos setores usam os drones, tecnologia que movimenta US$ 127 bilhões no mundo.

Apenas no Brasil, os setores movimentam cerca de R$ 1,5 bilhão por ano e empregam 100 mil pessoas, segundo dados da MundoGEO, que promoverá entre os dias 25 e 27 de junho, em São Paulo, a 5ª edição da DroneShow 2019, feira especializada em drones que acontece simultaneamente a MundoGEO Connect.

A Indústria 4.0 é o tema deste ano, em que serão abordados assuntos, como Big Data; Inteligência artificial, entre outros. Conversamos com o CEO da MundoGEO e diretor do evento, Emerson Granemann, sobre o uso dessas tecnologias no agronegócio:

ONB: A DroneShow está chegando na sua quinta edição. Quais as novidades desse ano?

Granemann: Teremos muitas novidades. Durante a programação há novos seminários e cursos que somam 30 atividades, com 240 horas de conteúdo. Entre os cursos mais procurados está o de drones para agricultura avançada, assim como o Seminário do Agro com aplicações e resultados para as diferentes culturas. Teremos cursos que orientam como empreender na área e como entender em detalhes a legislação.

Destaque para o 7º Fórum Empresarial, no qual as agências reguladoras, com participação do Ministério da Defesa (MD),responsável pelo controle de operações com drones no mapeamento de precisão de acordo com a recente portaria para o Agronegócio.

A feira traz também muitas novidades, com a exposição de novos modelos de drones fabricados no Brasil e no mundo. Teremos a apresentação de vários equipamentos híbridos, chamados VTOL, ou seja, que decolam e descem na vertical e voam grandes distâncias. Teremos um crescimento na mostra de novos sensores embarcados de alta resolução, além de outras formas de coleta de dados como nanosatélites, aviões tripulados, carros e triciclos com sensores acoplados.

ONB: Qual a expectativa de negócios da feira?

Granemann: A cadeia produtiva (*) do setor de drones deve movimentar R$ 500 milhões, em 2019, de acordo com as pesquisas da MundoGeo, junto as empresas do setor.  A feira deverá gerar em negócios iniciados na feira ao longo do ano cerca de 10% a 20% deste faturamento.

Cadeia produtiva (*): Comercialização de drones nacionais e importados, sensores embarcados dos mais diferentes tipos, softwares de pós-processamento dos dados coletados. E os diversos tipos de prestação de serviços de coleta, processamento, modelagem e análise dos dados coletados pelos drones.

ONB: Os setores de drone e de geotecnologia geraram cerca de 100 mil empregos diretos no país. Quais os setores que mais procuram essas ferramentas?

Granemann: As maiores aplicações são nas áreas de infraestrutura, agronegócios, florestal mineração, meio ambiente, óleo e gás, segurança e gestão municipal, nos projetos de smart cities.

ONB: Quais ainda são os principais desafios do setor, principalmente no agronegócio?

Granemann: Três fatores influenciam muito este setor no Agro. Primeiro, a falta de cultura em investir em tecnologia no campo, seguido dos limitantes regulatórios ainda impedem a disseminação do uso de mapeamento de precisão obtido por drones. Estima-se que atualmente somente 5% do potencial desta tecnologia seja usada no agro. O último fator é o tecnológico ligado à necessidade de ampliação da autonomia dos drones multirrotores utilizados para mapeamento ou pulverização.

Atualmente estes trabalhos são feitos em pequenas áreas e não ganham escala. No caso dos drones de asa fixa a autonomia é maior, por isso, são mais utilizados para mapeamento.

ONB: O surgimento de agritechs têm contribuído para solucionar essas questões?

Granemann: As “agritechs” são capazes de oferecer ao produtor rural serviços para aumentar sua produtividade e eficiência. Utilizar as informações geradas pelos Drones, como modelos digitais de terreno junto com a classificação do solo, identificação automática e doenças  na plantação ou de cabeças de gado são informações essenciais para alimentar aplicativos de gestão agrícola elaborados por este tipo de empresa.

ONB: Qual é o custo da aplicação dessa tecnologia?

Granemann: Usar drones não se resume a comprar o equipamento e sair voando. É importante analisar as demandas e especificar qual o hardware e software a ser utilizado. Qual a área a ser mapeada e que tipo de cultura existe. Existem drones de asa fixa e multirrores, além dos híbridos conhecidos como VTOL. Investimentos podem variar de R$ 30 a R$ 300 mil. Importante é o demandante avaliar se vai contratar uma prestadora de serviços ou montar sua frota e treinar equipe interna. Os valores do mapeamento variam muito pelo tamanho da área, deslocamento e tipo de equipamento usado.

ONB: Como a coleta de informações contribuem para as pesquisas e para o avanço do agronegócio?

Granemann: Agilidade, precisão e custos reduzidos na coleta de dados são essenciais na qualidade das decisões a serem tomadas no campo. Identificar falhas no plantio, mapear áreas afetadas por algum tipo de doença na plantação, além de produzir modelos digitais precisos para alimentar o manejo do solo e a pulverização de precisão. Tudo isso junto possibilita maior produtividade, menor impacto ambiental e melhores resultados financeiros.

Os ingressos para o DroneShow 2019 estão disponíveis no site oficial do evento: www.droneshowla.com.